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2.10.08

Rose is a rose is a rose is a rose
Loveliness extreme.
Extra gaiters,
Loveliness extreme.
Sweetest ice-cream.
Pages ages page ages page ages.
Gertrude Stein
Happy Birthday Rorosinha!

1.8.08

Cabo Verde de Marte - 2006

Info sobre 1ª Imagem e 2ª Imagem.

22.7.08

Aos olhos dos outros...

Etiquette: Cape Verdeans stand close together when talking and are physically demonstrative, often touching and holding hands (men as well as women). Greetings are somewhat lengthy, and include shaking hands (or kissing for women), and inquiring about each other's health and family. This is usually done each time two people meet, even if it is more than once in the same day.
Marriage: Legal and church weddings are uncommon in Cape Verde. More often than not, a woman will simply sai di casa (leave her family's house) to move in with her boyfriend. This is often occasioned by the woman becoming pregnant. After four years of cohabitation, a relationship acquires the status of common-law marriage. While polygamy is not legal, it is customary for men (married or not) to be sleeping with several women at once.
Classes and Castes: (...) There is a small but growing middle class in the towns and cities and virtually no upper class. Those of higher socio-economic backgrounds tend to identify culturally with Europe and to think of themselves as more "European," often because they have spent time abroad.
"People, dressed in Western clothing, stand in front of a mural
depicting the importance of safe sex, another Western import."
.
Fotografia e texto em everyculture.com
Eventual gargalhada triste por vossa conta.

8.5.08

As crónicas perdidas de Desiré Bonnafoux...

O autor de “Linhas Férreas em Cabo Verde”, artigo que coloquei no blog, em dois posts, em Julho de 2007, procura as crónicas perdidas de Desiré Bonnafaux... Em fins de Março passado, a propósito de um comentário pertinente num dos posts atrás mencionados, entrei em contacto com o Sr. Salomão Vieira e aproveitei para perguntar como seguia a pesquisa relativa ás Salinas de Pedra de Lume, na ilha do Sal. Divulgo - com devida autorização e na tentativa de encontrar alguma pista - a resposta que recebi...
“Consegui saber mais umas quantas coisas sobre a indústria do sal da ilha do dito, especialmente durante os primeiros vinte anos do séc. XX, mas depois do início das actividades da ‘Salins du Cap Vert’ em Pedra do Lume e da Companhia de Fomento em Santa Maria, especialmente a partir dos anos 30 já pouco mais pude saber.
Toda a minha pesquisa se orientava e orienta no sentido já agora de saber como evoluiu a indústria do sal e as actividades daquelas duas empresas a partir daí, e se houve ou não uma pequena locomotiva nas vias férreas da ilha do Sal. E também saber pormenores do teleférico instalado em Pedra Lume.
Um nome parece ser referência fundamental nesta pesquisa – o de Desiré Bonnafoux, que foi durante anos técnico e dirigente da ‘Salins’. Só que eu não consegui encontrar qualquer escrito deste senhor (e sei que os há) que nos fale das salinas. Tive inclusivé contactos com o Dr. Germano de Almeida que me forneceu algumas pistas, como o jornal “Dja de Sal”, onde haveria algumas crónicas de Desiré Bonnafoux, mas também não consegui chegar aceder a este jornal.”
.
Lanço daqui o apelo... se por acaso alguém souber dar informações sobre onde ou como encontrar as crónicas perdidas ou exemplares do jornal “Dja de Sal”… Imagem daqui e um breve historial da ilha do Sal neste site.

5.5.08

2 anos...

15.3.08

Estas iIhas e o Mito Hesperitano

No seguimento do último parágrafo do post anterior recomendo o artigo de Ricardo Riso intitulado: Mito Hesperitano, Pasargadismo, Insularidade: momentos de construção da poesia cabo-verdiana no século XX. Destaco... "No início do século XX, os poetas tentam criar uma história, um passado para o arquipélago diferenciando-o do português colonizador, o pai, e que valorizasse a mãe-terra crioula, a mátria. Entretanto, os escritores ainda recorrem a referências européias na busca de um passado heróico para sua pátria e, assim, chegam ao mito hesperitano. As origens do mito são descritas por Simone Caputo: Aqui pontuamos um topos interessante do percurso de busca de identidade crioula: o recurso ao mito arsanário ou hesperitano como origem (associado à idéia de pátria). As obras de José Lopes e de Pedro Cardoso, já nos seus títulos (Hesperitanas, 1928, e Hespérides, 1929; Jardim das Hespérides, 1926, e Hespéridas, 1930, respectivamente) interpretam a origem como: ilhas do velho Hespério – pai das Hespéridas – que abrigavam jardins repletos de pomos de oiro, guardados pelo dragão de cem cabeças, morto por Hércules. As “ilhas perdidas no meio do mar”, destacadas por Jorge Barbosa em seu antológico Arquipélago, 1935, já eram identificadas por Camões, em Os lusíadas (canto V, VII, VIII, IX) como Cabo Verde (Cabo Arsinário ou Estrabão)." - Imagem daqui e fotografia da Caboindex

3.3.08

As Linhas de Força e os Tesouros do Youtube

Encontrei novamente a fotografia que ilustra o post intitulado “O Significado do Peixe”. Informo que o autor é Pedro Loureiro e por este pequeno texto subentendi que a fotografia foi tirada em 2005 na Baia das Gatas – São Vicente.
A imagem fez-me regressar no tempo mais uma vez. Vi-me lá no fundo da sala de Teoria do Design a ouvir Setôr Sardinha a falar da importância das linhas de força de uma fotografia e de como se deve tirar partido delas para vincar melhor o sentimento/ideia do que se pretende retratar...
Na altura, há uns 20 anos, frequentava a António Arroio e nos estudos, a aprendizagem e a pesquisa eram feitas nos moldes de então, nada de internet, DVD's, câmaras digitais, etc. Por exemplo... os grandes clássicos dos primórdios do cinema eram analisados à luz do que os Setôres nos falavam, em manuais, criticas, fotogramas ou, muito esporadicamente, através de gravações em VHS. Foi assim que nomes como Fritz Lang, Eisenstein, Murnau, Griffith, Bunuel, o incrível Méliès, passaram a ser meus conhecidos sem, muitas vezes, ter visto um filme deles, por mais hilário ou surreal que possa parecer agora. Logo, foi um
grande prazer "descobrir”, há tempos, todos esses tesouros acessíveis no Youtube. Metropolis, O Couraçado Potemkin, Ivan o Terrivel, Nosferatu, M Matou, Birth of a Nation, Un Chien Andalou, Le voyage dans la lune e muitos mais. Só posso deixar o convite. Hoje em dia, com a net, só não aprende quem não quer.

1.2.08

E no Mindelo... o Carnaval!

Préparatifs du Carnaval (défilé: 5 février 2008)
Les Mandingues sont chargés de frayer un chemin aux danseurs
parmi les spectateurs: gare aux tâches sur les vêtements...
.
Fotografia e Legenda de Mix.Dax em Mindelo.Info
aqui reproduzidas com a devida vénia.

17.1.08

Diálogo improvável de palavras certas

Dizem que ele escreveu um dia...
"No passado cometi o maior pecado que um homem pode cometer: não fui feliz."
Ela poderia perfeitamente ter respondido de forma sagaz
- Desênrascá! Desênrascá bô vida.
... se eles estivessem frente a frente nalgum universo alternativo.
Ele e ela num lugar qualquer de uma cidade que não Mindelo ou Buenos Aires. A frase lida e o eco...
- ... vida... ida... da... a.
É que... - ocorreu-me agora - e se as palavras não se desligam de quem as pronunciou e também não se perdem? E se eco continua a reverberar por outros mundos. Baralham-se os personagens, o espaço e se calhar até o tempo, mas elas ressoam infinitamente criando situações estranhas e diálogos improváveis a esta realidade. Fatalismo surreal esse. Se assim for, em que lugar estarei eu noutros universos? Eu que agora e aqui escrevo este post? Quem me condiciona? Ou condicionarei eu a a ida da vida?
.
Fotografias do Mestre e da Voz .

11.12.07

Eerie Feeling

In the towns I am tracked by phantoms
having weird detective ways
Thomas Hardy
Obs: fotografia roubada algures. Lamento.

16.10.07

O Tempo e o...

Ser Tigre
.
O tigre ignora a liberdade do salto
é como se uma mola o compelisse a pular.
Entre o cio e a cópula
o tigre não ama.
Ele busca a fêmea
como quem procura comida.
Sem tempo na alma,
é no presente que o tigre existe.
Nenhuma voz lhe fala da morte.
O tigre, já velho, dorme e passa.
Ele é esquivo,
não há mãos que o tomem.
Não soa,
porque não respira.
É menos que embrião
abaixo do ovo,
infra-sémen.
Não tem forma,
é quase nada, parece morto.
Porém existe,
por isso espera.
Epopéia, canção de amor,
epigrama, ode moderna, epitáfio,
Ele será
quando for tempo disso.
.

Nueva refutación del tiempo
.
El tiempo es la sustancia de la que estoy hecho.
El tiempo es un río que me arrebata, pero yo soy el río;
es un tigre que me destroza, pero yo soy el tigre;
es un fuego que me consume, pero yo soy el fuego.
El mundo, desgraciadamente es real; yo desgraciadamente soy Borges.

11.10.07

A proposito da Guiné... Didinho.Org

Tenho evitado falar da Guiné porque penso que as memórias que tenho dela são idealizadas e retorcidas. Daí que não queira traduzir nenhum tipo de saudade passadista. Posso dizer, apesar de todas as vicissitudes, que a minha infância foi mágica e feliz (e um dia escreverei sobre isso). Claro que, generalizando, todos pensam o mesmo da meninice. Infelizmente a Guiné de hoje apresenta um cenário triste e um futuro sombrio. E, tenho que o expressar, acho que os muitos caboverdeanos que lá nasceram, cresceram e se fizeram adultos, a abandonaram. É a própria História a confirmar essa premissa quando, em 1980, com o Golpe de Estado, o C do “Dôs Corpu um Corçon” se liberta, com um grande alívio, do G. Em Cabo Verde, às vezes, fico com a sensação que a única herança que restou, para quem lá viveu, são as comidas típicas como o tchabéu, o caldo de mancarra ou outras, que se degustam, sem remorso ou amargo de boca, em grandes almoçaradas. Nessas ocasiões há o ritual de recordar a infância e vida na altura, com um saudosismo quase idiota, sendo a presente conjuntura, a maior parte das vezes, higienicamente ignorada. Raros são os que sequer lá voltaram. Aquele país deu muito aos caboverdeanos, incluindo uma Independência sem sofrimentos, sem viúvas e/ou órfãos, sem traumas e mutilados. Muitos dirão que a vida continua. É verdade, mas a mim, confesso, faz-me falta esse pedaço, o lugar da minha mininéça. Imagino o que não faltará aos outros...
Há muitos sites com o objectivo de divulgar o que acontece, presentemente, na Guiné-Bissau e Didinho.Org é um deles. A descobrir porque as palavras e as ideias ainda podem ajudar a mudar o mundo. Obs: Fotografia de Hugo Delgado

10.9.07

Bijagós - Memórias de um pai

Após a separação dos meus pais, aí por volta dos meus dez anos, passei a fazer parte do espólio do meu velho. Ele, aos 33 anos, com o fim do casamento, reinventara-se marinheiro errante e pescador, desventurado que estava com o início da guerra que o impedia do de circular pelas estradas da Guiné. Já lhe estava na matriz de ilhéu o destino de ser um deambulante incansável e, na altura, a pretexto de uma fuga imaginária, transferiu a sua sanha de aventuras para a descoberta um arquipélago desconhecido, onde poderia livremente saltar de uma ilha para outra. Um lugar onde as lágrimas que foi vertendo, certamente a olhar para lá das ilhas de Caravela e de Unhocomo, se foram diluindo na mistura baça resultante do encontro das águas do Rio Geba e do Atlântico. O horizonte longínquo que em algumas ocasiões pairava no seu olhar perdido foi-me decifrado numa manhã solarenga, de mar prateado, com vento de través, no canal entre as ilhas de Uno e Orango, quando murmurou, agarrado à cana do leme que aquela canoa, a sua “Ave do Paraíso” como carinhosamente a apelidava, certamente que aguentaria ir até à ilha de Santiago em Cabo Verde. Mal sabíamos os dois que, quase 40 anos depois, milhares de africanos, a fugir da miséria e instabilidade, desafiariam o destino e as intempéries nessas frágeis embarcações para chegarem tanto às ilhas de Canárias como às ilhas creolas.
O desterro voluntário do velho, por longos períodos, tinha sido a encantadora ilha de Sogá no arquipélago dos Bijagós. E eu, orgulhosamente só em Bissau. Os meus outros dois irmãos mais novos, o Rui e o Djoi, tinham acabado por regressar à protecção e segurança do lar materno. Lá ia aguentando menos-mal a casa da madrasta onde nunca me integrei.
Tornei-me também, junto de outros companheiros de mais idade do Bissau Velho um aventureiro incorrigível de caça, dos banhos e pesca de bentaninhas e bagres nas bolanhas próximas da segunda ponte, lá para os lados de Bulola. Nadávamos em grande algazarra e descontraidamente junto de grandes saltões, de sapos, de lagartixas, de garças, de raras linguanas e de cobras que por vezes se entremeavam, de cabeça erguida, no nosso meio à procura de sossego ou da outra margem, sem contar com os crocodilos que, sempre que alguém gritava lagarto saltávamos em debandada para fora da água. Apesar de alguns terem dito que lhes viam, ali na segunda ponte, nunca os vi. Inventávamos os saltos mais arrojados para a água em especial o “arratchacoco” que repetíamos vezes sem conta em cima dos mais incautos.
Outras vezes, num grupo mais pequeno embarcávamos na lancha “Barreiro” ou no pequeno “Gouveia 16” e íamos para o ilhéu do Rei com os operários da fábrica de óleo de amendoim. Esta aventura era somente para os mais destemidos e que aguentavam fome. Ali não havia árvores de fruto ou quem se condoesse connosco. Voltávamos cedo e durante dias sentíamos o odor do óleo de mancarra para onde fossemos. Por vezes, caminhávamos bem mais longe. Até vermos Cumeré do outro lado de um pequeno rio lodoso, o Impernal. Outras vezes ainda caminhávamos alegres, nus ou semi nus, com a roupa enrodilhada na cabeça, cana de pesca no ombro e a indispensável fisga ao pescoço, sempre em bicha de pirilau, através dos diques das bolanhas e canaviais, através de grandes extensões de terra alagada, até sairmos atrás do quartel de Santa Luzia e entrarmos na Granja do Pessubé. Aqui, num jogo de esconde-esconde com os guardas, surripiávamos fruta e nos banhávamos, se possível, no tanque que apelidávamos de piscina. Depois, ao anoitecer, era o regresso ao Bissau Velho sem sapatos ou algumas peças de roupa, arrependidos e com promessas repetidas de que nunca mais faríamos a pirraça de faltar às aulas. A entrada no Bissau Velho despertava em todos o receio das cintadas ou da palmatória de cinco buracos. Dividíamos no Zé da Amura para não dar nas vistas.
Pai fora e madrasta ocupada com afazeres profissionais. Vida boa. O que mais poderia almejar naquela idade? A vontade de continuar livre foi tanta que após um bom final de exame do segundo grau disse orgulhoso a uma vizinha da minha Mãe, perante um olhar dela de comiseração e surpresa, que não tencionava mais voltar à escola porque o meu Pai tinha dito que para ser pescador não era preciso mais que a quarta classe. Ainda acabei, por alguns meses, como aprendiz de mecânico, nas oficinas navais.
Mas antes, num certo dia, numa das inúmeras passagens pelo porto do Pidjiguiti, após as aulas, soube que a canoa a motor de cerca de nove metros a flutuar desajeitadamente a uns metros, para além da cabeça de ponte, era do meu velho e que se prestava a sair com a vazante, de regresso aos Bijagós. Não hesitei e arranjei forma de embarcar. Ninguém mais conseguiu de lá me tirar por mais argumentos que me fossem apresentados.
Época das chuvas, com uma brisa irregular do Sudoeste, horizonte escuro lá para os lados de Tite e de Enxudé a avisar da aproximação de um tornado e mar algo encapelado lá fomos, meia força avante, apontando, num fim de tarde triste, para a embocadura desse largo rio de onde por vezes não se via a outra margem.
Uma hora depois, resguardado, por uma manta fortuita do arrais Nhô André, compadre do meu velho, fascinou-me ver a água fosforescente a deslizar para trás, as luzes de Bissau a desaparecerem e um farol, o Pedro Álvares, muito ao longe pela proa, por vezes, a piscar. O bater compassado do esporão da canoa nhôminca a cortar as ondas altas, as inclinações laterais e a chuva miudinha pouco me amedrontaram. Sentia-me o herói de uma aventura da banda desenhada do Príncipe Perfeito e do Simbad.
Mesmo assim, lá para as nove, já com a lua a iluminar o rastro deixado pela canoa, após ter tentado imitar os outros, mijei em equilíbrio precário para sotavento, mastiguei a custo um pão duro e bebi, por um dos orifícios, quase meia lata de leite condensado que me deram. Adormeci depois todo enrolado e a tiritar em cima de uma prancha, logo a seguir à arca de gelo.
Uma avaria inesperada no único motor, ao largo da ilhas das Galinhas, faria com que continuássemos, a custo por causa da enchente, à vela e a remos até ao nascer do sol. Lá pelas nove, já com a força da maré de vazante, desembarcamos, perante a fuga de mais de uma dezena de macacos e debandada ocasional dos habituais caqres, numa praia da lindíssima ilha de Rubane. O meu primeiro desembarque de muitas outras paragens pela maioria das mais de 60 ilhas e ilhotas. Achei que aquela paisagem deslumbrante seria a tradução do que deveria ser o paraíso. E nunca me arrependi desse juízo. A viagem continuou ainda para uma outra ilha (Canhabaque) algumas milhas adiante, para recolher o meu Pai, que um dia quase que se tornava um nobre desse pequeno reino dos Bijagós. Muito certamente o primeiro espaço da África negra a sofrer um bombardeamento aéreo na guerra dos Bijagós de Canhabaque contra os poderes coloniais por volta da década de 20 do século passado. Só seriam considerados completamente pacificados após sucessivas campanhas que terminaram em 1936.
Mas, depois contar-te-ei com mais detalhes e também do meu encontro com um pai assustado até dizer chega, por ver a loucura que eu tinha feito e naquelas condições de tempo. O meu receio de poder levar uma valente sova quando ele me visse e as ilhas que percorremos, numa breve semana, até retornar, a toque de caixa, a bordo do lento e estafado “Ametite”, à enfadonha turma da quarta classe da Escola Oliveira Salazar, em Bissau. Poucos dos colegas acreditaram que tinha feito tamanha proeza por ser dos mais novos, franzino e não passar de um brancucinho, que apesar de brigador e rápido, jogava desajeitadamente à bola e que até ia para a escola de tchacual. Ainda hoje, julgo que partilho da mesma praga que tombou sobre Cassandra.
Até aos meus 21 anos nunca mais lá deixei de ir sempre que podia. Aprendi com vários arrais, sem cartas e ou outros instrumentos, a não ser a bússola, a navegar no arquipélago, aproveitando as estrelas à noite e o pulsar regular das marés, por entre aquelas ilhas e canais, ao ponto de, aos 13 anos, levar o “LP3” de Bissau a Bubaque e regresso, sem supervisão do arrais, sem encalhar e demorar mais tempo. Surpreendia-me sempre o Arrais Avião, cego de um olho, que me instruía assim “segue paralelo à Sogá, passa o canal de Bubaque, até veres a ponta mais afastada de Rubane, aproas à ponta e deixas a popa na extremidade norte de Sogá até estares dentro do canal. Atenção ao descaimento provocado pela enchente e na vazante à malhadeira na ponta de Bubaque à entrada do canal”. Um autêntico desafio seguir estas instruções na roda do leme. Umas vezes de canoa a remo ou à vela ou outras vezes no barco de pesca e navios de passageiros fui conhecendo o último paraíso desta costa africana que até há pouco tempo ainda detinha resquícios de uma sociedade matriarcal.
O site dar-te-á o alumbramento do que pude ver pela primeira vez. O encanto das ilhas, suas gentes, flora e fauna nunca se perderam dos meus olhos apesar de ter percorrido mais de meio mundo e visitado lugares exóticos. Vê e diz-me se não é mesmo um paraíso o que descobri ainda na infância
.

9.9.07

Texto plexo sem nexo

Ouves o esvoaçar da Borboleta Negra? Aquela que abre as asas na madrugada do teu sonho, te roça a face no repouso mais profundo e cresce cresce amadurece. Sufocas o pressentimento, mudas de posição e quando por fim entreabres os olhos… lá esta ela feita o caos da tua vida. - Voa voa borboleta… sussurras quase inconsciente. É então que te recordas daquela vez em que a viste, ainda menina, no vão escuro da escada. A humidade sufocava, o silêncio do meio-dia ardia. Tocaste-lhe. Ela espreguiçou o tempo nas asas aveludadas de negro e voou… .............Fotografia de Jayne Hinds Bidaut

31.8.07

Curtas, Ideias e Neuras

Regressei ao trabalho, silenciosamente, desde o início da semana.
Ferias na Praia em pleno mês de Agosto… calor, falta de água, falta de luz e sei lá mais o quê. Já foi tudo dito. Para contrabalançar ficou a observação do Guilherme que “Praça d’ Praia (Cruz do Papa) é más sáb! Ten baloiço, ten scorrega. Praça de Soncent ten só tanque! …e baziu”, rematou a Andreia sabiamente. Eu bem que desconfiava... eh eh!
Mudando de assunto…
Ocorreu-me que poderia contar o porquê do apelido (e do nome do blog) Amante da Rosa. É uma estória engraçada. O meu pai também me ofereceu um texto interessante sobre as memórias dele das ilhas dos Bijagós (Guiné Bissau). Falta somente formatar e acrescentar imagens. Outras ideias surgiram e apagaram-se com a mesma velocidade.
Entretanto…
Acho que todos os que têm um blog já sentiram, alguma vez, aquela vontade de deletar tudo muito pura simplesmente (e pronto e mais nada!). Desde ontem que ando assim. Motivos? Mil e um. Falta de inspiração, porque chove e a cidade está caótica, porque é tempo de despedidas, porque... porque... Tenho é uma graça muito grande de explodir no ar, assim como no poema:

"Era Verão, havia o muro.
Na praça, a única evidência
eram os pombos, o ardor
da cal. De repente
o silêncio sacudiu as crinas,
correu para o mar.
Pensei devíamos morrer assim.
Assim: explodir no ar."
Eugénio de Andrade
Obs: Fotografia daqui.

19.7.07

O Pescador

(...)
Não pesco só nas águas mas nos céus
e a minha pesca é quase uma oração
porque dou graças sem saber se Deus
é sim ou não."
.
A legenda da fotografia diz o seguinte: Cape Verde. Tunafishing between the islands Sao Nicolau and Sao Vicente. Tunafishing is practised with line and bait. In small boats fishermen sail at sunset to trace tuna on their way to European coasts. After the line is drawn a long wait starts. When a tunafish touch the bait the fisherman will awake and the battle starts.
.
É uma imagem que transmite muita paz e liberdade. Quase que se pode ouvir a brisa, os salpicos das ondas e o balançar do bote. Pensar que ele se prepara para a luta...

30.5.07

O significado do peixe

fotografia de autor desconhecido
Há alguns meses encontrei por acaso esta fotografia na net e guardei-a no meu arquivo de imagens. Não sei de quem é e das muitas vezes em que tentei identificar o autor e/ou o site deu em nada. Lamento. É uma imagem poderosa e, para mim, angustiante. Publico-a, mesmo sem identificação, porque vale a pena. Acho que percebi o porquê da aflição... é aquela linha de força imaginária, a diagonal que vai desembocar no peixe sobre a tábua. Ainda bem que isto de inspiração e versos anda mau ou sairia um daqueles poemas de fugir... sobre ausência.

6.5.07

Um Ano...

For last year's words belong to last year's language
And next year's words await another voice.
T.S. Eliot

16.3.07

O Santa Maria

Fotografia tirada na ilha da Boavista. Para chegar ao local "seguir para a Costa da Boa Esperança - um vasto areal que se estende até à Ponta Antónia - onde, em 1968, naufragou o cargueiro espanhol Cabo de Santa Maria (cujos destroços são lentamente devorados pelo mar)." Instruções daqui. Para sentir um pouco mais a ilha recomendo este excelente artigo. Se bem me lembro... há um filme que foi realizado por causa deste cenário. Depois confirmo os detalhes e informo. Bom Fim de Semana!

10.3.07

A espera...