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21.9.09

1.10.08

Cabo Verde em 1699 - Ilustrações de Duplessis

"Em 1699, uma pequena esquadra composta pelos navios Le Phèlippeaux (...), Le Comte de Maurepas (...), corveta La Bonne Nouvelle (...) e a flûte Le Nécessaire (... que se perdeu depois ao regressar a Port-Louis), intentaram uma “viagem comercial” ao Pacífico, fazendo escala em Cabo Verde, Rio de Janeiro, no Brasil e cruzando o Estreito de Magalhães, passaram ao Oceano Pacífico. A expedição saiu de La Rochelle a 27 de Dezembro de 1698 e, após 67 dias de viagem, a 22 de Janeiro de 1699, avistaram a ilha de Maio em Cabo Verde. A bordo de Le Comte de Maurepas embarcou o engenheiro Duplessis, que escreveu o diário de bordo, ilustrando-o com vistas de Cabo Verde e de peixes e aves, que aí encontraram."
São vinte e tal belíssimas ilustrações que podem ser consultadas em arquipelagos.pt (precisamente aqui e aqui), site esse rico em imagens e mapas antigos das ilhas. Recomendo explorar com calma. Penso que as aguarelas de Duplessis são um encanto, tanto pelos detalhes como pela cor. Publico umas tantas e aproveito para chamar a atenção para a grande diferença de povoamento que havia, na época, entre a Ribeira Grande e a Praia. Já sabia que assim o era mas "ver" é sempre interessante. (clicar nas primeiras 2 imagens).
"Poisson qu’on appelle Grande Gueulle - Peixe chamado Garoupa de pintas apanhado na ilha de S. Vicente. Têm tamanhos diferentes, pele dura, vermelha e malhada de azul."

"Oyseau qu’on appelle Foux - Ave chamada Boba (Alcatraz) porque se aproxima tanto do homem que, em certas ilhas, é morta á paulada. Nós matámo-la com um tiro de espingarda, na ilha de S. Vicente. Estas aves vivem apenas de peixe, sobre o qual se lançam, lá do alto, a toda a velocidade, como o gavião sobre a presa. São do tamanho de um ganso, muito gordurento e com um gosto a água choca."

"Vue de l’île de S. Nicolas lors quelle vous reste a deux lieues au Nord."

15.3.08

Estas iIhas e o Mito Hesperitano

No seguimento do último parágrafo do post anterior recomendo o artigo de Ricardo Riso intitulado: Mito Hesperitano, Pasargadismo, Insularidade: momentos de construção da poesia cabo-verdiana no século XX. Destaco... "No início do século XX, os poetas tentam criar uma história, um passado para o arquipélago diferenciando-o do português colonizador, o pai, e que valorizasse a mãe-terra crioula, a mátria. Entretanto, os escritores ainda recorrem a referências européias na busca de um passado heróico para sua pátria e, assim, chegam ao mito hesperitano. As origens do mito são descritas por Simone Caputo: Aqui pontuamos um topos interessante do percurso de busca de identidade crioula: o recurso ao mito arsanário ou hesperitano como origem (associado à idéia de pátria). As obras de José Lopes e de Pedro Cardoso, já nos seus títulos (Hesperitanas, 1928, e Hespérides, 1929; Jardim das Hespérides, 1926, e Hespéridas, 1930, respectivamente) interpretam a origem como: ilhas do velho Hespério – pai das Hespéridas – que abrigavam jardins repletos de pomos de oiro, guardados pelo dragão de cem cabeças, morto por Hércules. As “ilhas perdidas no meio do mar”, destacadas por Jorge Barbosa em seu antológico Arquipélago, 1935, já eram identificadas por Camões, em Os lusíadas (canto V, VII, VIII, IX) como Cabo Verde (Cabo Arsinário ou Estrabão)." - Imagem daqui e fotografia da Caboindex

11.2.08

A Batalha Naval do Porto da Praia

"The Battle of Porto Praya was a naval battle which took place during the American Revolutionary War on April 16, 1781 between a British squadron under Commodore George Johnstone and a French squadron under the Bailli de Suffren. Both squadrons were en route to the Cape of Good Hope, the British to take it from the Dutch, the French aiming to help defend it and French possessions in the Indian Ocean. The British convoy and its escorting squadron had anchored at Porto Praya in the Cape Verde Islands to take on water, when the French squadron arrived and attacked them at anchor. Tactically the battle was a British victory, since some of the French ships were not ready for action, forcing Suffren to withdraw. Strategically however, the French had won the day. Suffren beat Johnstone to the Cape and managed to warn the Dutch, before continuing on his journey to the Ile de France (now Mauritius)." Na Wikipedia. E aqui a gravura acima (a preto e branco e numa escala maior) com a seguinte legenda: Combat Naval de la Praya 16 Avril 1781. Galrie Histque de Versailles.
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Num outro site, e sobre a mesma batalha, há mais dados...
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Le combat de La Praya - Tableau du marquis de Rossel
"Un raid à La Praya: En 1781, le bailli de Suffren recevait le commandement d'une division chargée de transporter des troupes au cap de Bonne-Espérance et composée de: 1 frégate, 1 corvette et 5 vaisseaux (2 de 74, le Héros, avec Suffren, et l'Annibal) et 3 de 64 canons. Aux îles du Cap-Vert, le vaisseau de 64 l'Artésien, contraint de faire aiguade, partit en reconnaissance et aperçut une flotte anglaise ; il dénombra 4 vaisseaux, 4 frégates, 10 vaisseaux (armés) de la Compagnie des Indes, ainsi que 16 transports.
(...) Ce fut un raid violent et les Anglais subirent des avaries telles que Suffren leur échappa et parvint avant eux au Cap, où il put débarquer les troupes destinées à la défense de la colonie. Quinze jours plus tard, les Anglais étaient en vue, mais il leur fallut renoncer à débarquer ; l'audace de Suffren avait été payante."

30.1.08

Praya em 1793

Ao longo de séculos muitas foram as expedições que passaram por estas ilhas. Uma delas deu origem ao livro A Voyage to Chochinchina, editado em 1806, e escrito por John Barrow (1764-1848). Nele estão relatados os pormenores da viagem efectuada entre 1792 e 1793, com capítulos dedicados aos locais onde aportaram e logo a St. Jago (paginas 57 a 71). É triste ler a forma como ele descreve o cenário que encontra na "city, as it is unworthily called, Praya". Miséria, doença, fome, seca e sobretudo abandono (paginas 65 e ss). Foi preciso muita tenacidade para ainda aqui estarmos... O livro encontra-se inteiramente digitalizado e está acessível através do site da Biblioteca Nacional Digital portuguesa. A imagem abaixo, consta da mesma publicação e dá uma visão extraordinária da paisagem nesse tempo.
Clicar no título do post para visualizar melhor.
Esta mesma gravura, numa reimpressão actual, encontra-se à venda na net por 90 USD (com moldura!). Muitos outros exemplos tenho encontrado nos meus "sgrôvets" on line... documentos acessíveis a quem os queira adquirir, sejam eles originais certificados ou cópias de qualidade. Acredito que, com um orçamento razoável, se poderia comprar muita coisa para o acervo deste país. Quanto mais não fosse... para fazer exposições em que crianças e adultos pudessem apreciar algo mais que projectos virtuais e em papel. Fica a divagação e a esperança...

10.1.08

1899 no Mindelo - Wilson, Miller & Cory e Madeira

Bill of Exchange, to pay Captain Dewis Spicer forty pounds sterling, 26 December 1899
Clicar na imagem para ver melhor

O documento que ilustra o post faz parte do acervo da família Spicer. Em Dezembro de 1899 Dewis Spicer, então Capitão do Glooscap, escala o Porto Grande, a caminho de Manila, nas Filipinas. No porão carrega cerca de 280 toneladas de carvão que procura vender, tendo, para o efeito, contactado a Millers & Cory's C.V.I. Ltd e a The St. Vincent Coaling Co. (se bem entendi, empresa franca e filial da Wilson, Sons & Co.). Nesse intervalo - entre a efectivação da venda da mercadoria, com alguns problemas pelo meio, e os preparativos para seguir viagem - dá-se a última quadra natalícia do século XIX. Na Casa Madeira, ou melhor, na Madeira & Cª, vários géneros alimentícios e uma quantidade razoável de tinta vermelha são requisitados. A lista de compras é, no mínimo, curiosa, pois, para além da relação produto/preço, dela constam 2 itens que me deixaram surpreendida - 1 perú e 50 laranjas. Entretanto... não posso deixar de imaginar como terá sido, para a tripulação do Glooscap, passar a mudança de século na baía do Mindelo. Gostei de "descobrir" os documentos. São nomes de empresas que marcaram a ilha de São Vicente na altura e deixaram marcas no imaginário de muitos.

15.10.07

Guiné... Do Séc. XIII a princípios do Séc. XX

O texto e as ilustrações que seguem são a primeira parte de um post que se encontra no blog Guiné, Ir e Voltar.

"No século XIII, chegam a esta região da costa ocidental de África os povos naulu e landurna, na sequência do declínio do império do Ghana. É já no século XIV que esta zona passa a integrar o vasto império do Mali, vindo os primeiros navegadores portugueses a estabelecer contacto com ela em 1446-47.Inicia-se então um longo processo de implantação do monopólio comercial na região, incluindo ouro e escravos, o qual vai ser, durante muito tempo, frequentemente e sobretudo contestado por corsários e traficantes franceses, holandeses e ingleses. Em 1588 os portugueses fundam, junto à costa, em Cacheu, a primeira povoação criada de raiz, a qual será sede dos capitães-mores, nomeados pelo rei de Portugal, embora sob jurisdição de Cabo Verde. Seguir-se-á a criação da localidade de Geba, bem no interior do continente. Em 1642, os portugueses fundam Farim e Ziguinchor, a partir da deslocação de habitantes de Geba, dando início a uma ocupação das margens dos rios Casamança, Cacheu, Geba e Buba, a qual se torna efectiva em 1700, passando então a zona a ser designada por Rios da Guiné. Amura, século XIV (Travassos Valdez, África Ocidental).
Entre 1753 e 1775 inicia-se a construção da fortaleza de Bissau, a partir do trabalho de cabo-verdianos vindos especialmente das Ilhas de Cabo Verde para o efeito. Em 1800 a Inglaterra começa a fazer sentir a sua influência na Guiné, iniciando a sua reivindicação pela tutela da ilha de Bolama, arquipélago dos Bijagós, Buba e todo o litoral em frente. Com a abolição da escravatura no século XIX, sobrevém uma crise económica que tem como consequência o início da produção de novas culturas, como a mancarra (amendoim) e a borracha. Em 1870, por arbitragem do presidente dos EUA, Ulysses Grant, a Inglaterra desiste das suas pretensões sobre Bolama e zonas adjacentes. Com a vitória militar dos felupes de Djufunco, em 1879, no que ficou a ser conhecido na história como o “desastre de Bolol”, onde os militares portugueses sofreram a mais dura derrota no confronto com as populações locais, a coroa portuguesa decide a separação administrativa de Cabo Verde e a criação da “Província da Guiné Portuguesa”, com capital em Bolama. Numa tentativa de afirmação da soberania portuguesa, verifica-se então o início de acções militares punitivas contra os papeis em Bissau e no Biombo (1882-84), os balantas em Nhacra (1882-84), os manjacos em Caió (1883) e os beafadas em Djabadá (1882). A estratégia colonial passa igualmente por uma segunda vertente: o apoio sistemático com tropas e armamento a uma das partes dos conflitos indígenas. É o que se passa em 1881-82, com o apoio aos fulas-pretos do Forreá na sua luta com os fulas-forros. Os focos de contestação e a rebelião permanente e consequente dos diversos grupos étnicos fez com que o poder colonial se limitasse ao controlo de algumas praças e presídios (Bissau, Bolama, Cacheu Farim e Geba). Paralelamente, começa a instalação de propriedade de colonos ou de luso-africanos, em várias explorações agrícolas de grande dimensão (pontas) inicialmente dedicadas ao cultivo da mancarra. Em Maio de 1886, são delimitadas as fronteiras entre a Guiné Portuguesa e a África Ocidental Francesa, passando a região de Casamança para o controlo da França, por troca com a região de Quitafine (Cacine), no sul do país. A população desencadeia a partir do final do século XIX uma decidida vaga insurreccional em Oio (1897 e 1902), no Chão dos Felupes (1905), Badora e Cuor (1907-08) e a Guerra de Bissau (1908) que juntou Papeis e Balantas do Cumeré.
Fotografia em cima: Estatua de Ulisses Grant em Bafatá.
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O resumo continua... A meio desta página do Tantas Vidas está a parte que diz respeito à Historia da Guiné-Bissau no Séc. XX

24.9.07

Descobrir: João da Silva Feijó

O Ceará está hoje tão perto de Cabo Verde… Essa ligação trouxe-me à memória o percurso de vida do naturalista João da Silva Feijó (1760-1824) que descobri, há uns tempos, num dos muitos “sgrôvets” pela net.
João da Silva Feijó foi um naturalista luso-brasileiro comissionado pela Coroa portuguesa, na transição entre os séculos XVIII e XIX, para fazer investigações em história natural. Foi enviado para as ilhas de Cabo Verde (1783-1797) e para a capitania do Ceará, no Brasil (1799) (daqui).
O interessa por Cabo Verde, na época, era "sobretudo estratégico nas rotas dos navios que sulcavam o Atlântico. Não tendo muito mais para dar além da urzela, os produtos que o ministro reclamava a Feijó eram o salitre nativo e o enxofre. O enxofre, por constituir os alicerces da indústria química; o salitre, que então se importava manufacturado do estrangeiro, para baixar assim os custos da pólvora. Não os encontrará em Cabo Verde, entre as lavas expelidas pelo vulcão, pelo menos em quantidade que justificasse extraí-los. Mas muitos anos depois, já de regresso ao Brasil, fundará no Ceará um laboratório para extracção do salitre da Mina de Tatajuba, descoberta por ele." (daqui)
Deixou várias publicações, sobre o Ceará - "Memória sobre a Capitania do Ceará, 1814" - e estas ilhas. Sobre as últimas destaco: Memória sobre a fábrica real de anil da Ilha de Santo Antão, 1789; Memória sobre a urzella de Cabo Verde, 1815; Memória sobre a última erupção vulcânica do Pico da Ilha do Fogo, sucedida em 14 de Janeiro do ano de 1785, observada e escrita, etc..., 1814; Itinerário Filosófico que contem a relação das ilhas de Cabo Verde, disposta pelo método epistolar, 1783. (capa como ilustração do post). Ficou a vontade de descobrir, on line, alguns desses documentos...
Vale a pena ler sobre a vida e obra de João da Silva Feijó. Para além de outras informações espalhadas pela net, esta página contem três artigos que dão uma ideia geral de quem ele foi e o que deixou escrito. Não deixar de passar os olhos pelas as cartas, onde ele descreve as ilhas Brava e Fogo. Por último, segundo Magnus R. de M. Pereira, em Cabo Verde, o então jovem João da Silva Feijó foi um naturalista num ninho de cobras... Para quem tiver mais tempo, está tudo aqui.

27.6.07

Salins du Cap Vert

A imagem do post é uma acção ao portador, no valor de 100 francos, emitida pela da sociedade anónima “Salins du Cap Vert” que, em meados dos anos vinte do século XX, detinha um capital de 5.000.000 francos. Encontrei também um outro exemplar (com os coupons!) à venda no ebay. Hoje esses documentos têm muita procura entre coleccionadores da área. Num futuro próximo conto pesquisar mais sobre a história da "Salins du Cap Verd" pois... foi com surpresa que descobri que a sociedade ainda existe (verificar aqui e aqui). Chamo a atenção para o óptimo estado de conservação da acção e a simplicidade da ilustração por contraste à beleza do documento no seu todo (clicar na imagem para ver melhor os detalhes). Muito interessante.
Sobre Pedra de Lume... acredita-se que o primeiro registro que menciona a existência das salinas remonta a 1506/1508 e foi feito por Valentim Fernandes. Nesta página há informações boas e resumidas, com direito a uma "visita guiada" e tudo. Acho que aos poucos vou saldando as minhas contas com as ilhas. Prometo voltar com mais "velharias" brevemente.
P.S. Entretanto... recomendo a leitura deste artigo para quem deseja saber, de forma esclarecedora, as vantagens que existem quando se pretende investir em acções (ou obrigações) em Cabo Verde. Eu cá volto a mergulhar a cabeça nos livros... falta de tempo é triste. Ah mâ sebérba já tâ pagá culpa!

7.1.07

Ribeira Grande por Darwin

"In the course of an hour we arrived at Ribeira Grande, and were surprised at the sight of a large ruined fort and cathedral. This little town, before its harbour was filled up, was the principal place in the island: it now presents a melancholy, but very picturesque appearance".
Charles Darwin (The Voyage of the Beagle, 1839)
Clicar no título/link para mais informação.

1.12.06

O tempo... hoje e há cerca de 500 anos.

Ouvir alguém lamentar-se de falta de tempo é coisa cada vez mais comum na Praia. Nunca gostei muito de me queixar disso e agora apanho-me na mesma lenga lenga… tempo, tempo, falta-me tempo, não tenho tempo… onde foi o tempo?! Enfim grrrrrrr… É o desenvolvimento, consolo-me, ás vezes, pensando. Lembro-me que o Humberto uma vez disse que há pessoas que tem a incrível capacidade de parecer sempre muito atarefadas, fazendo com seja um privilégio para terceiros estar em companhia delas, por uns minutos que seja, mas… eu? A verdade é que agora ando mais ocupada e não tenho tido “tempo” para escrever e pesquisar. Durante uns “tempos” vai ser assim e não vou ter “tempo” para postar tanto quanto gostaria. E enquanto eu e o “tempo” estivermos nesse puxa puxa (eu ganho, vos garanto) deixo-vos aqui um facto engraçado e interessante que descobri. A ver se entretanto consigo gerir melhor o “tempo”!
...
Li, há alguns meses, o livro “Além do Fim do Mundo, A aterradora circunavegação de Fernão de Magalhães” de autoria de Laurence Bergreen. “O livro (…) é um relato histórico completo da viagem pioneira de circunavegação empreendida pelo navegador português Fernão de Magalhães e sua frota de cinco navios e 450 homens: a chamada Armada das Molucas. A expedição – uma das maiores e mais bem equipadas da Era dos Descobrimentos – partiu em 1519 de Sevilha, na Espanha, com o propósito de descobrir uma nova rota marítima para as ilhas das Especiarias, na Indonésia, onde existia em abundância o cravo-da-índia, a pimenta e a noz-moscada, todas de grande valor na época.” (clicar no titulo do livro/link para saber um pouco mais.)
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Ora, como Fernão de Magalhães, viajava a serviço da coroa espanhola, a armada, na partida, não passou por Cabo Verde mas sim pelas Canárias. Mas no regresso passaram, de uma forma bastante trágico/cómica e foi, na que é hoje chamada de "Cidade Velha", que se descobriu um facto curioso, para a época, e que passo a transcrever das páginas 379/80 do livro:
...
“Na quarta-feira, 9 de Julho (de1522), alcançamos uma das ilhas de São Jacó” – Pigafetta referia-se a Santiago, a maior ilha das ilhas de Cabo Verde, próximas a costa oeste da Africa, as mesmas ilhas que haviam servido de marco para a linha de demarcação do Tratado de Tordesilhas. As ilhas permaneciam baluartes portugueses, um centro de comércio de utensílios e de homens. (…)
Assim que o Victoria fundeou no porto da Ribeira Grande, na ilha de Santiago, Elcano despachou um escaler para buscar comida para a tripulação faminta. Receando que os portugueses atacassem, os homens forjaram uma história para atrair simpatia e evitar factos desagradáveis: “Perdemos nosso mastro de proa na linha equinocial (embora os tivéssemos perdido no cabo da Boa Esperança), e quando o estávamos fixando, nosso capitão-mor tinha ido para Espanha com os outros dois navios. A historia omitia toda e qualquer menção à visita às ilhas das Especiarias, os preciosos cravos que transportavam, a morte de Magalhães, os motins, o contorno do cabo da Boa Esperança, entre outras incursões em águas portuguesas e, o mais importante de tudo, a sua quase completa circunavegação do globo terrestre. Em vez disso, passaram por um cargueiro espanhol danificado por tempestades, um caso sem importância. A artimanha pareceu dar certo, e Pigafetta exultou: “Com essa boa história e a nossa mercadoria, conseguimos uma carga completa de arroz.”Pensando melhor, Elcano disse aos seus homens que confirmassem a data com os portugueses, só para se certificar de que o diário de bordo permanecia exacto depois de quase três anos de anotações. A resposta – quinta-feira – confundiu os marinheiros. “Ficamos surpresos, pois era quarta-feira para nós e não conseguíamos entender como tínhamos cometido esse erro. Eu sempre actualizava o diário, fazendo anotações diariamente, sem interrupção”. Como teriam omitido um dia? Como ficaram sabendo depois, “não foi erro, mas como a viagem tinha sido feita continuamente para o oeste, e havíamos retornado ao mesmo lugar, assim como o sol, tínhamos ganhado 24 horas”. Mas esse erro de cálculo significava que tinham violado a sua fé ao comerem carne nas sextas-feiras, e celebrado a Páscoa em uma segunda-feira.
Não foi um erro um mero descuido na contagem: Albo, Pigafetta e o resto dos sobreviventes erraram porque a linha internacional da data ainda não existia. Nenhum cosmólogo ou astrónomo ocidental, nem mesmo Ptolomeu, tinha antecipado que seria necessário fazer uma correcção para compensar a navegação ao redor do mundo. Coube à primeira circunavegação demonstrar a necessidade de um aumento de 24 horas. Por um acordo geral, a linha internacional de data estende-se, hoje, a oeste, a partir da ilha de Guam, no oceano Pacifico.”
...
E eu que pensava que o único a "perder" um dia tinha sido o Phileas Fogg. Claro que nem vou "mentar" a outra parte... o grupo maioritário a que pertenço, sabem? Aqueles que gostariam de encontrar umas horas aqui ou ali. Grrrr!

13.9.06

Port Praya, Cape Verde 1838


Acreditem ou não, só reparei que as duas imagens eram iguais depois de as colocar uma em cima da outra. Contudo, a primeira é um desenho a tinta (fabuloso tom de sépia que ganhou com os anos) e a segunda é uma gravura (detalhes mais claros) feita a partir do desenho. A autoria é atribuída a Charles Wilkes e a data é 1838.

Charles Wilkes foi o homem que comandou uma expedição de seis navios dos Estados Unidos que, em Agosto de 1838 deixaram Norfolk, na Virgínia para uma expedição no Pacifico Sul. A missão era para explorar as ilhas dessa região, investigar o potencial em termos de comércio e enfatizar o poder da América. Passaram por estas ilhas logo no início da viagem. Para descobrir mais é só clicar no título do post.