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14.8.06

Descobrir II

Queria deixar duas sugestões de leitura de sites que já se encontram na link list: Cranberry People e Palhabote Ernestina.

1. Aqui, Querino Kenneth Joseph Semedo relata, na primeira pessoa, as memórias da infância e juventude, resgatando do esquecimento o contributo de muitos caboverdianos anónimos que emigraram para os Estados Unidos, no principio do século passado, e que, trabalhando em condições sub humanas, ajudaram a construir, com a força das mãos, as plantações de arando* (cranberry). Uma narração tocante sobre a vida de pessoas que, apesar de chamarem a Cabo Verde “old coutry”, mantiveram as suas raízes e ajudaram familiares nas ilhas mesmo debaixo de muitas dificuldades. Uma lição do passado de quem, em terra estranha celebrou o “Mastro de St. Johns”, “Canta Reis”, mas ainda assim, sobreviveu e integrou-se.
(*: A tradução de cranberry para português é arando. É uma fruta pequenina, vermelha, de sabor acido e da mesma família que o mirtilo e a groselha. É comercializada sob diversas formas, fresca, em sumo, xaropes, cristalizada e passada e nas diversas variedades de doce.)

2. O Palhabote Ernestina… O nosso Ernestina, veleiro que ainda navega no imaginário fantástico de muitos, não é Paulino? Construído em Massachussetts e baptizado com o nome de Effie M. Morrisey, é lançado ao mar no dia 1 Fevereiro de 1894. Foi dos últimos veleiros a levar emigrantes para a América, já sob o nome de Ernestinana e é oferecido aos Estados Unidos por Cabo Verde em 1982. Um veleiro cheio de historia e estórias a descobrir e que antes de ser comprado por Henrique Mendes, desempenhou o seu papel na II grande guerra, esteve ao serviço da Smithsonian em missão expedicionária, quebrou recordes de velocidade e efectuou viagens de exploração ao ártico. Quando se tornou Ernestina, em 1947, fez ligações regulares entre Cabo Verde e os Estados Unidos até 1965, ano em que passou a navegar somente entre as ilhas. O resto, a saga dos que comandaram e viajaram nele, deixo à vossa descoberta. Um site magnifico, completo e com fotografias fabulosas.

21.6.06

Cabo Verde – Como éramos


Desde que me lembro que tenho um fascínio por fotografias antigas. Os daguerreótipos então impressionam-me com a qualidade excepcional da imagem, do brilho e a tonalidade. Tenho gravado na mente um retrato de uma tia-avó do meu avô Lindorff, que vi há uns anos atrás, em Lisboa… a expressão do olhar, a rigidez da pose, o penteado, a vestimenta elaborada e a nitidez do jardim que serviu de cenário. Um encanto! Gosto tanto de fotografias antigas e amarelecidas pelo tempo, que era para chamar a este blog “Sépia”. Acredito que até as nossas memórias com o tempo ganham essa matiz. Sempre que observo alguém fotografado há muitos anos, recordo-me da cena “Carpe Dien” do filme “Death Poets Society”. Os retratos falam-nos de um tempo que passou, que não volta. Até os nossos próprios retratos falam connosco…

No blog “Mindel na Coraçon” (ver nos meus Links) descobri um link incrível chamado “Colecção Traudi Coli” - http://eyeballs.net/verde/ , com fotografias e daguerreótipos de um Cabo Verde esquecido. São centenas de imagens destas ilhas, dos nossos antepassados e da comunidade cabo-verdiana emigrada nos Estados Unidos. Recomendo… e de passagem não deixem de “clickar” em http://www.ernestina.org , o site do Palhabote "Ernestina”.

(desculpem os 1001 adjectivos deste post… é que o entusiasmo é grande!)