Sobrevivi à classificação e reclassificação dos posts. São estes os Tags/Marcadores que existem no blog: América, Angola, Boavista, Brasil, Brava, Clara Vales, Creolo, Crónica, Darwin, Descendentes de Caboverdeanos, Divagações, Diálogo, Emigração, Escravatura, Estórias, Expedições, Família, Fogo, Fotografia, Fotografias Antigas, Guiné, História, Ilhéus, Ilustrações Antigas, Ingleses, Judeus, Livros, Maio, Mapas Antigos, Meus Poemas, Mindelo, Minha Ficção, Minhas, Fotografias, Mitos, Morna, New Bedford, Nova Sintra, Palhabote Ernestina, Paula Rego, Poder, Poetas Caboverdeanos, Portfólio, Portugal, Praia, Quadros, Recordações, Ribeira da Barca, Ribeira Grande, Sal, Santiago, Santo Antão, Sweet Daddy Grace, São Nicolau, São Vicente, Telégrafo, TIC's e afins, Vulcão. Aceito sugestões. Os itens como História e Divagações podem vir a ser subdivididos. Até lá... que seja útil.
5.3.07
26.2.07
Interrogações semi loucas em forma de diálogo.
- Penso muito em Amaranta ultimamente. Interrogo-me do porquê. Porque agarra ela as brasas de carvão naquela manhã cintilante de Primavera?
- Para que a dor da própria carne lhe endureça o coração e na cegueira dos sentidos encontre a cura. O tacto… perde-o com as cicatrizes e o negro das ligaduras abafa o odor da memória. Acho que o grito ainda lhe percorre o corpo. Mantém-no preso. Acarinha-o. Tudo mais é lenda. O porquê da surdez do momento. A mortalha de linho branco ainda em forma de meada…
- Enganas-te! A poesia da tua resposta raia a patetice. Amaranta segura os tições por puro poder. Para que os que irão julga-la, como tu, leiam desespero. Ela assenhora-se do espectáculo. Tece com determinação até o momento da morte. Borda o destino. Vinga-se dos outros. Domina-os com a projecção poética que rodeia o acto. Diz-me… quem não teme uma mulher enlouquecida de amor? Percebes? Ela brinca. Mascara, expondo o clarão do poder, no breu com que envolve as mãos. Simplesmente pelo poder.
- Mas o reflexo do poder tem de ser necessariamente negro?
- Acho que sim… ainda que na maioria das vezes se dissimule com outras cores do espectro. A capacidade de mutação não lhe altera a natureza, nem quando se veste de luz e esperança.
- … e o desamor que levou à acção? E a velha fórmula “luz igual ausência de trevas”. Uma fantochada?
- Quase, mas não desse modo. O amor é mais parecido com a letra daquela música dos anos 80 “a ponte é uma passagem p’rá outra margem… a ponte é uma miragem.” Difícil se vislumbrar se se não se arrisca a entrar nas brumas e, uma vez nelas, a maior parte das vezes…
- …perdemo-nos.
- No princípio há o mistério, a descoberta, o encontro e depois… onde vai dar?
-À luta pelo poder sobre o outro?
- Voilà! Brigar para ser o dono dos fios invisíveis que condicionarão as acções do ou dos outros.
- É maquiavélico!
- Não… é humano e acontece todos os dias a todos os níveis. Percebes agora porque Amaranta faz o que faz?
- E quando há arrependimento?
- É uma merda! São detalhes desses que dão cabo da eficácia de muitas lutas.
- Para que a dor da própria carne lhe endureça o coração e na cegueira dos sentidos encontre a cura. O tacto… perde-o com as cicatrizes e o negro das ligaduras abafa o odor da memória. Acho que o grito ainda lhe percorre o corpo. Mantém-no preso. Acarinha-o. Tudo mais é lenda. O porquê da surdez do momento. A mortalha de linho branco ainda em forma de meada…
- Enganas-te! A poesia da tua resposta raia a patetice. Amaranta segura os tições por puro poder. Para que os que irão julga-la, como tu, leiam desespero. Ela assenhora-se do espectáculo. Tece com determinação até o momento da morte. Borda o destino. Vinga-se dos outros. Domina-os com a projecção poética que rodeia o acto. Diz-me… quem não teme uma mulher enlouquecida de amor? Percebes? Ela brinca. Mascara, expondo o clarão do poder, no breu com que envolve as mãos. Simplesmente pelo poder.
- Mas o reflexo do poder tem de ser necessariamente negro?
- Acho que sim… ainda que na maioria das vezes se dissimule com outras cores do espectro. A capacidade de mutação não lhe altera a natureza, nem quando se veste de luz e esperança.
- … e o desamor que levou à acção? E a velha fórmula “luz igual ausência de trevas”. Uma fantochada?
- Quase, mas não desse modo. O amor é mais parecido com a letra daquela música dos anos 80 “a ponte é uma passagem p’rá outra margem… a ponte é uma miragem.” Difícil se vislumbrar se se não se arrisca a entrar nas brumas e, uma vez nelas, a maior parte das vezes…
- …perdemo-nos.
- No princípio há o mistério, a descoberta, o encontro e depois… onde vai dar?
-À luta pelo poder sobre o outro?
- Voilà! Brigar para ser o dono dos fios invisíveis que condicionarão as acções do ou dos outros.
- É maquiavélico!
- Não… é humano e acontece todos os dias a todos os níveis. Percebes agora porque Amaranta faz o que faz?
- E quando há arrependimento?
- É uma merda! São detalhes desses que dão cabo da eficácia de muitas lutas.
– Então é por isso que, quase no fim da mortalha, ela descose todas as noites os bordados que fez durante o dia…
- Sim, o poder e o medo andam de mãos dadas.
- Sim, o poder e o medo andam de mãos dadas.
.
Amaranta mora em Cem Anos de Solidão, livro de Gabriel Garcia Marquez. Não é bem esse motivo porque queima as mãos nas brasas do fogão da cozinha mas… pode ter sido. A música é da extinta banda “Jafumega” e eu gostaria de poder dizer que a leitura de “O Príncipe” não me subiu à cabeça durante este fim de semana… Buuu!
Amaranta mora em Cem Anos de Solidão, livro de Gabriel Garcia Marquez. Não é bem esse motivo porque queima as mãos nas brasas do fogão da cozinha mas… pode ter sido. A música é da extinta banda “Jafumega” e eu gostaria de poder dizer que a leitura de “O Príncipe” não me subiu à cabeça durante este fim de semana… Buuu!
19.2.07
O meu sonho irá
"Levado pelo vento, pelas nuvens, pelas asas.
(...) E nas fotografias da terra,
Comprados por turistas estrangeiros
Felizes e sorridentes. (...)
Eu sei que fico mas o meu sonho irá ... "
Poema de Aguinaldo Fonseca e fotografia daqui
11.2.07
"Vou Ser Senhor do Mundo"
"Vou falar com o Pássaro-Rei, vou-lhe pedir um favorzinho: vou ver se ele me dá emprestado sete penas brancas para eu voar e ir poisar no teto do mundo. Se ele disser que sim, estou garantido, porque Capotona-Preta prometeu virar-me dum passo para o outro, em senhor da terra, senhor das águas, senhor dos céus, senhor do Mundo. Mas é se eu voar com as sete penas brancas e for poisar no teto do Mundo. E porquê ele não me faz o favorzinho, se lhe levo um punhado de milho e se lhe digo: — Por favor?"1.2.07
Esgrovêt na HI5
Eu, (nem sempre) humilde pecadora me confesso… caí na tentação do "esgrovêt" da vida alheia! Vasculhei barbaramente todos os nomes que me vieram à cabeça, quer simpatizasse ou não. Amigos, conhecidos e desconhecidos… varri tudo! Não adiantou nada e sequer fez de mim uma pessoa melhor, pelo contrário. No fim apenas conseguia questionar o porquê da existência do HI5. Ok, ok, como não sou uma pessoa de muitos amigos, é fácil, para quem me conhece minimamente, entender que pergunte - como é possível haver gente que consegue ter 100, 200 até 500 (!!!) amigos numa lista da internet em que todos podem ter acesso? Tudo chapadinho, com fotografias, informações e comentários. Muito do lindo e muito
do público! Será que vale mesmo a pena ter uma página on line onde divulgamos os nossos dados, os retratos mais bonitos e exibimos os amigos, conhecidos e familiares desta forma? É realmente necessário tornar público os bons sentimentos que nutrimos pelos outros? Qual a verdadeira utilidade do HI5? Haverá mais pessoas a pensar como eu? Há! A coisa boa deste mundo globalizado é que quando julgamos estar na periferia da periferia do acontecimento eis que, mediante uma simples busca no google, com as palavras desvantagens vantagens hi5 surgem 307 links! Encontrei um texto muito engraçado do Nuno Markl, o autor do livro “O homem que mordeu o cão”, que recomendo. Entretanto, fica para uma proxima vez um post sobre vantagens desvantagens blogs.
do público! Será que vale mesmo a pena ter uma página on line onde divulgamos os nossos dados, os retratos mais bonitos e exibimos os amigos, conhecidos e familiares desta forma? É realmente necessário tornar público os bons sentimentos que nutrimos pelos outros? Qual a verdadeira utilidade do HI5? Haverá mais pessoas a pensar como eu? Há! A coisa boa deste mundo globalizado é que quando julgamos estar na periferia da periferia do acontecimento eis que, mediante uma simples busca no google, com as palavras desvantagens vantagens hi5 surgem 307 links! Encontrei um texto muito engraçado do Nuno Markl, o autor do livro “O homem que mordeu o cão”, que recomendo. Entretanto, fica para uma proxima vez um post sobre vantagens desvantagens blogs. 29.1.07
Cabo Verde de Minas Gerais
Em Minas Gerais, no Brasil, há um município que se chama Cabo Verde. O motivo? Reza uma das lendas que "povoadores vindos do Arquipélago de Cabo Verde (...) encontrando (...) pedras semelhantes às da terra natal, quiseram homenageá-la, colocando o seu nome no novo descoberto". Mais aqui.
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21.1.07
O Tratado das Rainhas
A 3 de Julho de 1842 é assinado em Lisboa, pelos Plenipotenciários das Rainhas Dª Maria II de Portugal e Victoria do Reino Unido, o "Tratado para a completa abolição do Tráfico de Escravatura". Eram jovens na altura... tinham ambas 23 anos. Duas mulheres com um percurso de vida que merece ser descoberto. Começar por aqui e aqui. O documento que ilustra o post está na site do Arquivo Histórico Nacional.
17.1.07
"Compelling portrait of two former slaves."
Entre a vontade cada vez maior de acabar com o blog e a pesquisa que ando a fazer sobre a escravatura... entrou-me pelo ecrã adentro este retrato. Fiquei siderada! São dois ex escravos (no dito outono ou inverno literário da vida) que nos olham lá dos confins do Texas do século passado. O link para descobrir mais sobre o assunto está título do post. Face a uma imagem destas... Como ficar de mau humor? Hum??? 7.1.07
Ribeira Grande por Darwin
"In the course of an hour we arrived at Ribeira Grande, and were surprised at the sight of a large ruined fort and cathedral. This little town, before its harbour was filled up, was the principal place in the island: it now presents a melancholy, but very picturesque appearance".Charles Darwin (The Voyage of the Beagle, 1839)
Clicar no título/link para mais informação.
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Ribeira Grande
2.1.07
E se plagiarmos sem saber?
A dúvida foi-me lançada por um amigo, a quem eu li o ultimo poema que "postei".
“- Gostaste?
- Sim, gostei… mas pareceu-me que já tinha lido algo parecido em qualquer lugar.
- Como???
- (silêncio indeciso de quem não sabe se diz ou não...)
- Como é possível? Eu escrevi isso ontem… Qual parte, diz? – insisti.
- … a parte dos sapatos vermelhos”.
Ainda pensei duas vezes antes de pôr o poema online, e, foi nessa sequência, que surgiu a ideia deste post. E se plagiamos sem querer, quero dizer, inconscientemente? E se vamos buscar ideias de textos ou palavras que já lemos e que ficam guardadas no nosso inconsciente até ao momento em
que as resgatamos, pensando que tivemos um ataque de inspiração súbita? Se a mente prega partidas até bem piores porque não essa?
Lembrei-me de um texto que tinha lido sobre o assunto e parti á procura na net. Não encontrei, mas encontrei esta frase em O Plágio Criativo: “Carlos Drummond de Andrade ensinava, ironicamente, que o desenvolvimento da originalidade possui algumas etapas, a primeira das quais é imitar os modelos clássicos, e a última... imitar-se a si mesmo até a morte!”. Há diversos tipos de plágio, segundo a pesquisa que fiz, o plágio que é feito de propósito e com má fé, o plágio consciente, inspirado em algo concreto e o plágio inconsciente. Existem ainda diversos subgrupos que não vou mencionar. Pessoalmente, não acredito que algum deles seja desculpável e até o auto-plágio é feio. Resumindo, originalidade é difícil e dá trabalho! O melhor a fazer, segundo um artigo que li, é desconfiar das inspirações súbitas. É um tema vasto que merece ser pesquisado. Fica o convite. Já agora... se por acaso tiverem algo a acrescentar ao tema ou ao poema do dia 31 de Dezembro de 2006, vou querer “ouvir”. Bom 2007, com ou sem sapatos vermelhos!
“- Gostaste?
- Sim, gostei… mas pareceu-me que já tinha lido algo parecido em qualquer lugar.
- Como???
- (silêncio indeciso de quem não sabe se diz ou não...)
- Como é possível? Eu escrevi isso ontem… Qual parte, diz? – insisti.
- … a parte dos sapatos vermelhos”.
Ainda pensei duas vezes antes de pôr o poema online, e, foi nessa sequência, que surgiu a ideia deste post. E se plagiamos sem querer, quero dizer, inconscientemente? E se vamos buscar ideias de textos ou palavras que já lemos e que ficam guardadas no nosso inconsciente até ao momento em
que as resgatamos, pensando que tivemos um ataque de inspiração súbita? Se a mente prega partidas até bem piores porque não essa?Lembrei-me de um texto que tinha lido sobre o assunto e parti á procura na net. Não encontrei, mas encontrei esta frase em O Plágio Criativo: “Carlos Drummond de Andrade ensinava, ironicamente, que o desenvolvimento da originalidade possui algumas etapas, a primeira das quais é imitar os modelos clássicos, e a última... imitar-se a si mesmo até a morte!”. Há diversos tipos de plágio, segundo a pesquisa que fiz, o plágio que é feito de propósito e com má fé, o plágio consciente, inspirado em algo concreto e o plágio inconsciente. Existem ainda diversos subgrupos que não vou mencionar. Pessoalmente, não acredito que algum deles seja desculpável e até o auto-plágio é feio. Resumindo, originalidade é difícil e dá trabalho! O melhor a fazer, segundo um artigo que li, é desconfiar das inspirações súbitas. É um tema vasto que merece ser pesquisado. Fica o convite. Já agora... se por acaso tiverem algo a acrescentar ao tema ou ao poema do dia 31 de Dezembro de 2006, vou querer “ouvir”. Bom 2007, com ou sem sapatos vermelhos!
Observações:
1. uma das coisas boas da escrita, é que ela nos ajuda a espantar os nossos proprios demónios (não é uma citação, é uma paráfrase a uma frase que a Dª F. B. me escreveu). Eu, depois do poema passei a noite de fim do ano em família! Afinal... para quê me acabar se já o tinha feito mentalmente?
31.12.06
A valsa eterna.
Pronto!
A Terra completou mais uma volta em
redor do Sol. Rodopiou com a mesma graça
da bailarina da caixinha de música que
um dia eu não tive. Incansável e alheia para
não se atrapalhar no compasso do firmamento.
Arrastou consigo a Lua glacial. Ambas
Arrastou consigo a Lua glacial. Ambas
resignadas à eterna valsa surda…
A melodia magnética
que o maestro rei emana.
A melodia magnética
que o maestro rei emana.
...
E nós aqui à procura do sentido
E nós aqui à procura do sentido
das coisas, entre uma maré e outra.
...
Hoje vou também vou querer
calçar os sapatinhos vermelhos.
calçar os sapatinhos vermelhos.
Dançar como a menina encantada do
conto ou a bailarina conformada da caixa.
conto ou a bailarina conformada da caixa.
Que se me acabe a corda.
Que tropece nos meus próprios pés.
Que importa?
...
...
Amanhã será 2007 da era Cristã.
Há um novo ciclo a ser inventando.
Renova-se a Esperança na Humanidade.
Fazemos de conta que podemos reiniciar
do tal zero que pensando bem... não existe.
Bailemos então. Sol? Música!
Bailemos então. Sol? Música!
21.12.06
3.12.06
Postais Antigos
deported in Cabo Verde islands after a rebellion).
Obs: Para ver mais clicar no título/link
Obs: Para ver mais clicar no título/link
1.12.06
O tempo... hoje e há cerca de 500 anos.
Ouvir alguém lamentar-se de falta de tempo é coisa cada vez mais comum na Praia. Nunca gostei muito de me queixar disso e agora apanho-me na mesma lenga lenga… tempo, tempo, falta-me tempo, não tenho tempo… onde foi o tempo?!
Enfim grrrrrrr… É o desenvolvimento, consolo-me, ás vezes, pensando. Lembro-me que o Humberto uma vez disse que há pessoas que tem a incrível capacidade de parecer sempre muito atarefadas, fazendo com seja um privilégio para terceiros estar em companhia delas, por uns minutos que seja, mas… eu? A verdade é que agora ando mais ocupada e não tenho tido “tempo” para escrever e pesquisar. Durante uns “tempos” vai ser assim e não vou ter “tempo” para postar tanto quanto gostaria. E enquanto eu e o “tempo” estivermos nesse puxa puxa (eu ganho, vos garanto) deixo-vos aqui um facto engraçado e interessante que descobri. A ver se entretanto consigo gerir melhor o “tempo”!
...
Li, há alguns meses, o livro “Além do Fim do Mundo, A aterradora circunavegação de Fernão de Magalhães” de autoria de Laurence Bergreen.
“O livro (…) é um relato histórico completo da viagem pioneira de circunavegação empreendida pelo navegador português Fernão de Magalhães e sua frota de cinco navios e 450 homens: a chamada Armada das Molucas. A expedição – uma das maiores e mais bem equipadas da Era dos Descobrimentos – partiu em 1519 de Sevilha, na Espanha, com o propósito de descobrir uma nova rota marítima para as ilhas das Especiarias, na Indonésia, onde existia em abundância o cravo-da-índia, a pimenta e a noz-moscada, todas de grande valor na época.” (clicar no titulo do livro/link para saber um pouco mais.)
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Li, há alguns meses, o livro “Além do Fim do Mundo, A aterradora circunavegação de Fernão de Magalhães” de autoria de Laurence Bergreen.
“O livro (…) é um relato histórico completo da viagem pioneira de circunavegação empreendida pelo navegador português Fernão de Magalhães e sua frota de cinco navios e 450 homens: a chamada Armada das Molucas. A expedição – uma das maiores e mais bem equipadas da Era dos Descobrimentos – partiu em 1519 de Sevilha, na Espanha, com o propósito de descobrir uma nova rota marítima para as ilhas das Especiarias, na Indonésia, onde existia em abundância o cravo-da-índia, a pimenta e a noz-moscada, todas de grande valor na época.” (clicar no titulo do livro/link para saber um pouco mais.)...
Ora, como Fernão de Magalhães, viajava a serviço da coroa espanhola, a armada, na partida, não passou por Cabo Verde mas sim pelas Canárias. Mas no regresso passaram, de uma forma bastante trágico/cómica e foi, na que é hoje chamada de "Cidade Velha", que se descobriu um facto curioso, para a época, e que passo a transcrever das páginas 379/80 do livro:
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Ora, como Fernão de Magalhães, viajava a serviço da coroa espanhola, a armada, na partida, não passou por Cabo Verde mas sim pelas Canárias. Mas no regresso passaram, de uma forma bastante trágico/cómica e foi, na que é hoje chamada de "Cidade Velha", que se descobriu um facto curioso, para a época, e que passo a transcrever das páginas 379/80 do livro:
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“Na quarta-feira, 9 de Julho (de1522), alcançamos uma das ilhas de São Jacó” – Pigafetta referia-se a Santiago, a maior ilha das ilhas de Cabo Verde, próximas a costa oeste da Africa, as mesmas ilhas que haviam servido de marco para a linha de demarcação do Tratado de Tordesilhas. As ilhas permaneciam baluartes portugueses, um centro de comércio de utensílios e de homens. (…) 
Assim que o Victoria fundeou no porto da Ribeira Grande, na ilha de Santiago, Elcano despachou um escaler para buscar comida para a tripulação faminta. Receando que os portugueses atacassem, os homens forjaram uma história para atrair simpatia e evitar factos desagradáveis: “Perdemos nosso mastro de proa na linha equinocial (embora os tivéssemos perdido no cabo da Boa Esperança), e quando o estávamos fixando, nosso capitão-mor tinha ido para Espanha com os outros dois navios. A historia omitia toda e qualquer menção à visita às ilhas das Especiarias, os preciosos cravos que transportavam, a morte de Magalhães, os motins, o contorno do cabo da Boa Esperança, entre outras incursões em águas portuguesas e, o mais importante de tudo, a sua quase completa circunavegação do globo terrestre. Em vez disso, passaram por um cargueiro espanhol danificado por tempestades, um caso sem importância. A artimanha pareceu dar certo, e Pigafetta exultou: “Com essa boa história e a nossa mercadoria, conseguimos uma carga completa de arroz.”Pensando melhor, Elcano disse aos seus homens que confirmassem a data com os portugueses, só para se certificar de que o diário de bordo permanecia exacto depois de quase três anos de anotações. A resposta – quinta-feira – confundiu os marinheiros. “Ficamos surpresos, pois era quarta-feira para nós e não conseguíamos entender como tínhamos cometido esse erro. Eu sempre actualizava o diário, fazendo anotações diariamente, sem interrupção”. Como teriam omitido um dia? Como ficaram sabendo depois, “não foi erro, mas como a viagem tinha sido feita continuamente para o oeste, e havíamos retornado ao mesmo lugar, assim como o sol, tínhamos ganhado 24 horas”. Mas esse erro de cálculo significava que tinham violado a sua fé ao comerem carne nas sextas-feiras, e celebrado a Páscoa em uma segunda-feira.
Não foi um erro um mero descuido na contagem: Albo, Pigafetta e o resto dos sobreviventes erraram porque a linha internacional da data ainda não existia. Nenhum cosmólogo ou astrónomo ocidental, nem mesmo Ptolomeu, tinha antecipado que seria necessário fazer uma correcção para compensar a navegação ao redor do mundo. Coube à primeira circunavegação demonstrar a necessidade de um aumento de 24 horas. Por um acordo geral, a linha internacional de data estende-se, hoje, a oeste, a partir da ilha de Guam, no oceano Pacifico.”
Assim que o Victoria fundeou no porto da Ribeira Grande, na ilha de Santiago, Elcano despachou um escaler para buscar comida para a tripulação faminta. Receando que os portugueses atacassem, os homens forjaram uma história para atrair simpatia e evitar factos desagradáveis: “Perdemos nosso mastro de proa na linha equinocial (embora os tivéssemos perdido no cabo da Boa Esperança), e quando o estávamos fixando, nosso capitão-mor tinha ido para Espanha com os outros dois navios. A historia omitia toda e qualquer menção à visita às ilhas das Especiarias, os preciosos cravos que transportavam, a morte de Magalhães, os motins, o contorno do cabo da Boa Esperança, entre outras incursões em águas portuguesas e, o mais importante de tudo, a sua quase completa circunavegação do globo terrestre. Em vez disso, passaram por um cargueiro espanhol danificado por tempestades, um caso sem importância. A artimanha pareceu dar certo, e Pigafetta exultou: “Com essa boa história e a nossa mercadoria, conseguimos uma carga completa de arroz.”Pensando melhor, Elcano disse aos seus homens que confirmassem a data com os portugueses, só para se certificar de que o diário de bordo permanecia exacto depois de quase três anos de anotações. A resposta – quinta-feira – confundiu os marinheiros. “Ficamos surpresos, pois era quarta-feira para nós e não conseguíamos entender como tínhamos cometido esse erro. Eu sempre actualizava o diário, fazendo anotações diariamente, sem interrupção”. Como teriam omitido um dia? Como ficaram sabendo depois, “não foi erro, mas como a viagem tinha sido feita continuamente para o oeste, e havíamos retornado ao mesmo lugar, assim como o sol, tínhamos ganhado 24 horas”. Mas esse erro de cálculo significava que tinham violado a sua fé ao comerem carne nas sextas-feiras, e celebrado a Páscoa em uma segunda-feira.
Não foi um erro um mero descuido na contagem: Albo, Pigafetta e o resto dos sobreviventes erraram porque a linha internacional da data ainda não existia. Nenhum cosmólogo ou astrónomo ocidental, nem mesmo Ptolomeu, tinha antecipado que seria necessário fazer uma correcção para compensar a navegação ao redor do mundo. Coube à primeira circunavegação demonstrar a necessidade de um aumento de 24 horas. Por um acordo geral, a linha internacional de data estende-se, hoje, a oeste, a partir da ilha de Guam, no oceano Pacifico.”
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E eu que pensava que o único a "perder" um dia tinha sido o Phileas Fogg. Claro que nem vou "mentar" a outra parte... o grupo maioritário a que pertenço, sabem? Aqueles que gostariam de encontrar umas horas aqui ou ali. Grrrr!
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Santiago
24.11.06
Um olhar
Fogo Cape Verde
Lorentz Gullachsen - UK
Lorentz Gullachsen - UK
Esta fotografia está no site thecolorawards.com e faz parte de um grupo que foi seleccionado para a categoria de Arquitectura. São imagens espectaculares e cheias de cor. Nada melhor para espantar um dia cinzento como o de hoje e determinadas inquietudes cheias de auto comiseração! Clicar aqui para ir directamente para a pagina dos nomeados e vencedores do concurso de 2006.
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