Algumas informações sobre o autor e a música aqui e aqui. Não ouvia esta musica há muito muito tempo... acho que vou fechar os olhos e sonhar. Ah! A letra pode ser lida aqui.
19.6.07
Cize cantando "Ausência" de Goran Bregovic
13.6.07
Lavores - Praia 1946
Esta fotografia pertence ao acervo das Irmãs Missionárias do Espirito Santo e está neste site com a seguinte legenda: "En 1946, les Spiritaines débarquent à Praia, au Cap-Vert. Elles s’engagent au niveau de la formation féminine." Como já devem ter lido sobre a minha paixão por fotografias antigas, escuso-me a mais comentários maçudos. 5.6.07
A morte de Marcus Lopius
"(Em Agosto de 1788) o diário da chalupa Washington, de Boston, regista a morte de Marcus Lopius, um tripulante admitido em Cabo Verde. Lopius (Lopes) foi morto por índios Tilamook na costa do Oregão (...). O local da morte seria chamado mais tarde Murderer's Cove (Angra do Assassino). O navio fazia parte da expedição que "descobriu" o rio Columbia e abriu o comércio de peles naquela região. Este é o primeiro registo de um africano na região do Nordeste Pacífico." Parágrafo retirado daqui e imagem ilustrativa aqui.
Existe um número razoável de sites na net que relatam a morte de Marcus Lopius. Uns contam que ele, ao perseguir um índio que tinha roubado um objecto da tripulação ou do barco, caíu numa emboscada traiçoeira e foi assassinado (ler mais em "comentários" do post), outros afirmam que o objecto roubado lhe pertencia, como nesta versão aqui: "... at first the Americans had no trouble with the natives but on August 16, the Indians made a murderous assault and killed Gray's cabin boy, Marcus Lopius, the first person of African decent to reach Oregon. Lopius, who joined Gray's 1788 trip to the Northwest native Cape Verde Islands, was exploring near present-day Bayview, on the northern edge of Tillamook Bay, when he realized an Indian had stolen his knife. When the young sailor tried to recover his property, he was murdered." Face ao que aconteceu, não resisto a pôr a exclamação da pessoa que me enviou a estória e alguns dos links, afinal... "Eis a prova de que o homem era caboverdeano. Crioulo não leva desaforo para casa mesmo... (...) foi morto pelos índios porque lhe roubaram a navalha e não quis deixar em branco!!!."
Existe um número razoável de sites na net que relatam a morte de Marcus Lopius. Uns contam que ele, ao perseguir um índio que tinha roubado um objecto da tripulação ou do barco, caíu numa emboscada traiçoeira e foi assassinado (ler mais em "comentários" do post), outros afirmam que o objecto roubado lhe pertencia, como nesta versão aqui: "... at first the Americans had no trouble with the natives but on August 16, the Indians made a murderous assault and killed Gray's cabin boy, Marcus Lopius, the first person of African decent to reach Oregon. Lopius, who joined Gray's 1788 trip to the Northwest native Cape Verde Islands, was exploring near present-day Bayview, on the northern edge of Tillamook Bay, when he realized an Indian had stolen his knife. When the young sailor tried to recover his property, he was murdered." Face ao que aconteceu, não resisto a pôr a exclamação da pessoa que me enviou a estória e alguns dos links, afinal... "Eis a prova de que o homem era caboverdeano. Crioulo não leva desaforo para casa mesmo... (...) foi morto pelos índios porque lhe roubaram a navalha e não quis deixar em branco!!!." 30.5.07
O significado do peixe
Há alguns meses encontrei por acaso esta fotografia na net e guardei-a no meu arquivo de imagens. Não sei de quem é e das muitas vezes em que tentei identificar o autor e/ou o site deu em nada. Lamento. É uma imagem poderosa e, para mim, angustiante. Publico-a, mesmo sem identificação, porque vale a pena. Acho que percebi o porquê da aflição... é aquela linha de força imaginária, a diagonal que vai desembocar no peixe sobre a tábua. Ainda bem que isto de inspiração e versos anda mau ou sairia um daqueles poemas de fugir... sobre ausência.
29.5.07
Um Post e uma Tese de Doutoramento
Há um dia ou dois que andava meio desconfiada com o numero, cada vez maior, de visitantes aqui no blog. Isto sempre foi meio intimista (pouco conhecido - é mais correcto) e de repente passo a ter mais visitantes num dia do que numa semana inteira. 20, 30 e 40 visitantes! Wow! Desvendei o mistério. Os novos visitantes vêm todos do blogueforanadaevaotres que fez um post sobre o meu post. É engraçado e espero que seja uma descoberta agradável para os visitantes que por cá passem pela primeira vez.
Fiquei mesmo foi com muita vontade de ler a tese de Doutoramento em História Contemporânea - Guerra colonial 'versus' guerra de libertação: o caso da Guiné-Bissau - do Professor Doutor Leopoldo Amado. Quem sabe um dia... o lançamento... aqui em Cabo Verde, uh?
22.5.07
Links a descobrir
E como o tempo não é muito, deixo aqui 3 links com informações interessantes sobre comunidades
caboverdeanas na Inglaterra, Estados Unidos e Senegal, respectivamente: "Remembering Slavery: Cape Verde to Cardiff", "Cape Verdean Heritage on Nantucket" (com muitas fotografias) e "The French Speaking Creoles of Cape Verde". O artigo sobre o Senegal sabe a pouco. Gostava de poder encontrar mais informações sobre comunidades de caboverdeanos noutras partes de Africa.
caboverdeanas na Inglaterra, Estados Unidos e Senegal, respectivamente: "Remembering Slavery: Cape Verde to Cardiff", "Cape Verdean Heritage on Nantucket" (com muitas fotografias) e "The French Speaking Creoles of Cape Verde". O artigo sobre o Senegal sabe a pouco. Gostava de poder encontrar mais informações sobre comunidades de caboverdeanos noutras partes de Africa. Obs: Gostei tanto desta fotografia que a "roubei" daqui. Ela chamava-se Celestina Andrade, nasceu em 1893 na ilha da Boavista e emigrou para os EUA em 1915.
8.5.07
Blogueforanada - sem palavras.
Muito ouvimos nós, a geração das Flores da Revolução de Bissau, falar da luta da libertação nacional que decorreu nas matas da Guiné e dos nossos bravos combatentes e libertadores da pátria amada que lutaram corajosamente contra os tugas colonizadores (assim era a linguagem, não há enganos). Enfim... Jovens cheios de ideais nobres que combateram contra outros jovens, alguns renitentes e outros "impregnados ainda dos ideais de um império moribundo" como alguém me disse.
A parte dos combates foi sempre muito abstracta e idealizada na minha mente. Uma de mistura de memórias de criança com imagens do filme "Mortu Nega" e uns salpicos daquelas elipses convenientemente cinematográficas, onde se leva o espectador directamente para o que interessa, sendo dispensado de ver a parte chata e sobretudo, sem aflorar a tragédia que está por detrás da rotina dos acontecimentos. Gostaria de poder acreditar que, da minha parte, foi uma negação mascarada de ingenuidade.
Mas... e o concreto? O sangue, os massacres de populações civis indefesas, os fuzilamentos, as luta corpo a corpo? As situações mórbidas que poucos têm coragem de perguntar e que, muitos dos que levaram a cabo essas acções, não gostariam de se lembrar?
Há blogs engraçados, curiosos, originais e há blogs que me provocam, literalmente, uma reacção orgânica qualquer que não consigo explicar. O blogueforanadaevaotres editado por Luís Graça é um deles. Narrado quase sempre na primeira pessoa, relata o historial da guerra na Guiné e como foi vivido pelos portugueses. Está tudo lá! São descrições, factos e memórias impressionantes. Conforme ia lendo só me ocorria uma palavra - Catarse.
Não se consegue ler tudo de uma vez e o que se vai descobrindo arrepia. Arrepia a estória de Uloma, o comando africano “caçador de cabeças”. Sobressalta o alegado número de fuzilados que o historiador Leopoldo Amado avança e surpreende saber que o Supervisor da 1ª. Companhia de Comandos Africanos e Director de Instrução de Cursos de Comandos em Fá Mandinga, que se chamava Octávio Manuel Barbosa Henriques, nasceu em 18 de Novembro de 1938, na Freguesia de Nª. Sr.ª da Conceição, ilha do Fogo.
É o outro lado e há muito a descobrir...
Não se consegue ler tudo de uma vez e o que se vai descobrindo arrepia. Arrepia a estória de Uloma, o comando africano “caçador de cabeças”. Sobressalta o alegado número de fuzilados que o historiador Leopoldo Amado avança e surpreende saber que o Supervisor da 1ª. Companhia de Comandos Africanos e Director de Instrução de Cursos de Comandos em Fá Mandinga, que se chamava Octávio Manuel Barbosa Henriques, nasceu em 18 de Novembro de 1938, na Freguesia de Nª. Sr.ª da Conceição, ilha do Fogo.
É o outro lado e há muito a descobrir...
Já agora... Recomendo a visita a esta página, também no mesmo blog, que tem informações interessantes sobre a força expedicionária portuguesa em que passou por São Vicente durante a II Guerra mundial.
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6.5.07
Um Ano...
by irving penn
For last year's words belong to last year's language
And next year's words await another voice.
T.S. Eliot
10.4.07
Ilha do Maio em 1887 e noutras eras.
Obs: clicar no título/link para ver melhor a imagem do mapa.
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Procurando textos sobre a ilha do Maio para "ilustrar" a imagem do mapa, encontrei informações muito interessantes.
Em 1970 foi publicado o livro Geologia da Ilha de Maio (Cabo Verde) de autoria de António Serralheiro. O pequeno resumo que consta do catálogo online começa assim: "Na ilha de Maio as rochas sedimentares mais antigas ocupam grande área e datam, possivelmente, do Jurássico superior (...)". Já me tinham dito que as ilhas do Maio, Boavista e Sal eram as mais velhas do arquipélago, no entanto "em quase todas as ilhas de Cabo Verde existem formações sedimentares. Um dos primeiros cientistas que a eles se referiu foi DARWIN, aquando da viagem da BEAGLE, em 1833". Contudo "(...) as formações sedimentares mais antigas, existentes no arquipélago, de idade mesozóica, apenas se conhecem na ilha de Maio." - As duas últimas citações também são do mesmo autor e estão num outro livro.
Em 1970 foi publicado o livro Geologia da Ilha de Maio (Cabo Verde) de autoria de António Serralheiro. O pequeno resumo que consta do catálogo online começa assim: "Na ilha de Maio as rochas sedimentares mais antigas ocupam grande área e datam, possivelmente, do Jurássico superior (...)". Já me tinham dito que as ilhas do Maio, Boavista e Sal eram as mais velhas do arquipélago, no entanto "em quase todas as ilhas de Cabo Verde existem formações sedimentares. Um dos primeiros cientistas que a eles se referiu foi DARWIN, aquando da viagem da BEAGLE, em 1833". Contudo "(...) as formações sedimentares mais antigas, existentes no arquipélago, de idade mesozóica, apenas se conhecem na ilha de Maio." - As duas últimas citações também são do mesmo autor e estão num outro livro.
8.4.07
Planta incompleta do Mindelo, publicação de 1888
Escala: 1:2500 - Publicação: Secretaria das Obras Públicas, 1888Suporte: Papel Colorido - Tamanho: 31x40cm em folha de 39x48cm
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Nota explicativa do Mapa: Descoberta da ilha: Em 1465 / Descobridores: Antonio de Nola e Luiz Cadamosto / Situação: Lat. N 16.º 54.’ Long. W 25.º 4.’ Green. / Numero de fógos em 1887 – 1.561 / Numero de habitantes em 1887 – 5.377 / Data da fundação da cidade: A ilha foi mandada povoar em 1781, mas só em 1795 vieram para aqui alguns colonos – escravos e alguns casaes de João Carlos da Fonseca donatario da ilha. Foi elevada a cathegoria de cidade por alvará de 30 de Setembro de 1879. / Edeficios publicos: Palacio do Governo, Quartel militar, Paços do Conçelho, Alfandega e Lazareto.
Obs: clicar no título/link para uma excelente visualização do mapa.
Impressionante como a parte antiga permanece ainda hoje.
26.3.07
George S. Lima - a Tuskegee Airman
Existem inúmeros casos de adaptação bem sucedida entre descendentes de caboverdeanos na América. De vez em quando, nas minhas navegações e “esgrovets”, descubro alguns. A história da vida de George S. Lima é um desses exemplos. Filho de Anna Morais Silva e de Manuel Duarte
Lima, naturais, respectivamente, das ilhas da Boavista e de São Nicolau, vem a nascer, em 1919, já na América, em Massachusetts mais precisamente. Tem um percurso de vida extraordinario, o qual destaco aqui (e apenas) o facto de ter pertencido a uma elite de pilotos afro-americanos que participou, com distinção, na II Guerra Mundial. E porque não tenho tempo para desenvolver mais, deixo uns links sobre: o documentário (que deu origem á imagem que ilustra o post); um artigo alargado sobre a vida dele; uma pequena biografia; algumas fotografias; o site oficial dos Tuskegee Airman, ao qual pertenceu, e outras informações da Wiki. Por vossa conta fica a descoberta da faceta de "Civil Rights activist" e o empenho demonstrado, num trabalho de anos, pela boa integração da comunidade caboverdeana radicada nos Estados Unidos. Inspirador!
Lima, naturais, respectivamente, das ilhas da Boavista e de São Nicolau, vem a nascer, em 1919, já na América, em Massachusetts mais precisamente. Tem um percurso de vida extraordinario, o qual destaco aqui (e apenas) o facto de ter pertencido a uma elite de pilotos afro-americanos que participou, com distinção, na II Guerra Mundial. E porque não tenho tempo para desenvolver mais, deixo uns links sobre: o documentário (que deu origem á imagem que ilustra o post); um artigo alargado sobre a vida dele; uma pequena biografia; algumas fotografias; o site oficial dos Tuskegee Airman, ao qual pertenceu, e outras informações da Wiki. Por vossa conta fica a descoberta da faceta de "Civil Rights activist" e o empenho demonstrado, num trabalho de anos, pela boa integração da comunidade caboverdeana radicada nos Estados Unidos. Inspirador! 19.3.07
"Terra Estrangeira"
Encontrei! Este é o cartaz do filme de que falei no post anterior. Lembrava-me porque foi algo que me marcou. Escrevo de memória mas tenho a certeza que na altura, em entrevista à TNCV, alguem da equipa de rodagem (o realizador?) disse que o filme tinha sido feito muito por causa dessa imagem poderosa... o navio encalhado. Quem quiser saber mais
pode ler a ficha tecnica ou uma das muitas análises que se encontram on line. Transcrevo 2 frases de uma crítica: “Um instante filosófico, repleto de poesia, paira na cena do velho navio encalhado no mar, impossibilitado de seguir ou retroceder, tal como os dois personagens que permaneceram estáticos dentro do contexto da marginalidade, numa vida reticente, envelhecida, como uma matéria bruta, ou como o velho navio enferrujado que não alcançou o seu destino.” O filme tem também "(...) imagens (que) trazem uma qualidade artística rara em filmes brasileiros, com efeitos de iluminação sofisticados, uma belíssima fotografia (…). Aliás, foi editado um livro, com fotografias tiradas directamente dos fotogramas do filme. Penso que serão 10, os anos que separam as duas imagens, a do poster (1994/5) e a da fotografia do Miguel Mealha.
Obs: Acho que saldei (um pouco) as minhas contas com a Boavista, agora falta o Maio.
16.3.07
O Santa Maria
Fotografia tirada na ilha da Boavista. Para chegar ao local "seguir para a Costa da Boa Esperança - um vasto areal que se estende até à Ponta Antónia - onde, em 1968, naufragou o cargueiro espanhol Cabo de Santa Maria (cujos destroços são lentamente devorados pelo mar)." Instruções daqui. Para sentir um pouco mais a ilha recomendo este excelente artigo. Se bem me lembro... há um filme que foi realizado por causa deste cenário. Depois confirmo os detalhes e informo. Bom Fim de Semana!
11.3.07
A chuva do dia 28 de Agosto de 2001
Caboverdeano que se preze e goste de escrever tem de "botar" algo sobre a chuva… É sina. Vem isto a propósito de me ter apanhado a pensar no que não daria por uma boa chuva, miudinha, para limpar este tempo feio di pó di terra que nos assombra faz meses. E lembrei-me de uma crónica que escrevi sobre o tema. Saiu no Terra Nova de Agosto/Setembro de 2001. Transcrevo pela "originalidade", por ser totalmente extemporâneo, porque os problemas persistem, pela ironia q.b. e porque não me estou a ver a escrever algo do tipo quando a chuva vier, se bem que... como diz a Marisa, "inda Agost câ dà!". Chamava-se…
Manhã de Azagua
Chove lá fora… a Azagua começou. Sinto-me contente até ao momento em que uma pontada de ansiedade me atinge. Santa Barbara! Este vai ser um daqueles dias. Vou estar meio perdida a conviver com pensamentos dúbios aliados aos velhos sentimentos “chuvais” que nós, cabo-verdianos, carinhosamente cultivamos e que, as vozes da comunicação social, melhor do que ninguém, dão alma.
Sintonizo, no rádio, o programa “… a voz da alma creola – directamente da cidade do planalto…”, onde mais uma revelação da nossa constelação musical canta “camponês ca bô tchora, ca bô desespera… qui um dia tchuba ta bem”. Um sentimento de medo invade-me. Começou… Eu sei que isto é maso, mas é o lado sado que vence. Questiono-me se o locutor vai ler outro texto fresco e campestre da, habitual colaboradora, Cláudia V., mas logo a seguir venho a mim, se só ontem, a crónica da passagem da Assomada a cidade foi lida, tenho ainda alguns dias de ansiosa espera.
Prosseguindo… a voz de Bius encanta, com mais um tema musical sobre chuva, quando, mentalmente, me preparo, para à noite, na televisão, ver as batidas e rebatidas imagens dos meninos brincando nas poças de agua lamacenta, correndo barquinhos, molhando os pezinhos, prontos para mais uma desinteriazinha, enquanto nós, telespectadores, assistimos, alegremente descansados, com tanta incongruenciazinha. Desta vez sim, o Mamãe Velha (...) será bem encaixado. Tenho a certeza que a TCV vais começar o Telejornal com o poema musicado. Não, não sou adivinha, é o que vem acontecendo ano após ano. (...)
Mas temos chuva. Não importa que nas encostas, todos os anos as águas corram para o mar, engolindo mais punhados de terra arável. Que nas cidades, ruas se tornem intransitáveis, casas sejam inundadas e transeuntes se façam acrobatas. Temos chuva!
Sentimo-nos aliviados. O camponês está feliz! Uma vez mais, cumprirá o ritual da monda, mesmo que, tal como anteriormente, este ano, também não adiante muito. Ritos são ritos, ad eternun! E nós pensamos, reconfortados, que até temos um bom motivo para faltar ao emprego, mas isso dura, apenas, até ao momento em que nos lembramos que as nossas empregadas também o farão. Mas relevamos, pelo menos por alguns dias, relevamos. Estamos todos unidos no sentimento de sermos 100% cabo-verdianos e vivermos num país de amor e solidariedade.
A emissão prossegue. O programa “Voz Solidária” leiloa percentagens simbólicas de historias de miséria, para que, no aconchego dos nossos gabinetes climatizados, nas nossas casas estanques ou mesmo na rua, abrigados nos nossos carros, falando no terceiro telemóvel em dois anos, tenhamos motivos para nos condoer e comprar, publicamente, uma fracção dessa desgraça de não poder e não ter. Mas, logo de seguida, todo o sentimento é varrido, A voz eufórica do locutor, até há momentos sensibilizada, anuncia que “os agricultores estão felizes e prontos para o trabalho, com a magnífica chuva que cai…” e nós, apaziguados, damos graças a Deus. É tempo de Azagua!
Clara Vales
Mindelo, 28.08.01
10.3.07
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