10.1.08

1899 no Mindelo - Wilson, Miller & Cory e Madeira

Bill of Exchange, to pay Captain Dewis Spicer forty pounds sterling, 26 December 1899
Clicar na imagem para ver melhor

O documento que ilustra o post faz parte do acervo da família Spicer. Em Dezembro de 1899 Dewis Spicer, então Capitão do Glooscap, escala o Porto Grande, a caminho de Manila, nas Filipinas. No porão carrega cerca de 280 toneladas de carvão que procura vender, tendo, para o efeito, contactado a Millers & Cory's C.V.I. Ltd e a The St. Vincent Coaling Co. (se bem entendi, empresa franca e filial da Wilson, Sons & Co.). Nesse intervalo - entre a efectivação da venda da mercadoria, com alguns problemas pelo meio, e os preparativos para seguir viagem - dá-se a última quadra natalícia do século XIX. Na Casa Madeira, ou melhor, na Madeira & Cª, vários géneros alimentícios e uma quantidade razoável de tinta vermelha são requisitados. A lista de compras é, no mínimo, curiosa, pois, para além da relação produto/preço, dela constam 2 itens que me deixaram surpreendida - 1 perú e 50 laranjas. Entretanto... não posso deixar de imaginar como terá sido, para a tripulação do Glooscap, passar a mudança de século na baía do Mindelo. Gostei de "descobrir" os documentos. São nomes de empresas que marcaram a ilha de São Vicente na altura e deixaram marcas no imaginário de muitos.

21.12.07

What a Wonderful World by Louis Armstrong

Feliz Natal e Prospero 2008

11.12.07

Eerie Feeling

In the towns I am tracked by phantoms
having weird detective ways
Thomas Hardy
Obs: fotografia roubada algures. Lamento.

7.12.07

A Grande Viagem

"Tem uma negona véia cantora lá da ilha de Cabo Verde, na África, que eu sou apaixonado! O nome dela é Cesaria Évora! A mulher canta no dialeto Crioulo, um português que não é português mas acaba sendo português, sabe? O mais estranho é que tu ouve e jura que tá sabendo o que ela tá cantando, quando não tá sabendo porra nenhuma. Eu até copiei um texto na internet escrito em crioulo, olha que viagem: "Kamaradas ku jintis ku na sukutanu, bô tardi. Bu kontinua na sukuta Radio Difusão Nacional di Republika di Giné-Bissau. Na studiu no tene uma ora mas trinta minutu. No na tchoma bos atenson pa prezentason di no noba di uma ora i trinta minutu di tardi na kriolu Mil novisentus oitenta i oitu anu di ristruturason i ifisiensia, tona kunpu kusa ku bali. No na kontinua ku aparelhu di stadu kunumeru di djintis ciu ku ka prisisadu, ku ta aumenta grava pesu di gastu ku salariu, ki ta punu no ka ta bin pudi paga salariu justu pas kilis ki na bardadi e ta tarbaja e ta pruduzi. Es i konbersa di General di Divison Jon Bernardu Vieira, Sekretariu Geral di PAIGC i Prezidenti di Konselhu di Stadu."
Agora, imagina isso cantado...baixa uma músia dela: "Nutridinha".
.
Que grande viagem... eh eh! Está em: As Mulatas de Jesus Cristo.

4.12.07

Na tarde do dia 30 de Julho de 1967...

A maioria das pessoas - pelo menos até à minha geração - que viveu na Praia, nas décadas de oitenta e noventa, conhece ou já ouviu falar do Senhor Hilário Brito. Num tempo em que não havia parabólicas e/ou outras opções, o sinal que a antena dele emitia era a alternativa certa sintonizada em muitas televisões desta cidade. Uma grande figura da Praia sem dúvida.
Clicar no nome do post para descobrir mais.

30.11.07

“Breves Apontamentos sobre as Formas Musicais existentes em Cabo Verde” por Margarida Brito

Queria chamar a atenção para este texto, de 1998, que pode ser lido em At-Tambur.com. Começa assim:
"Cabo Verde, ao longo da sua história, elaborou uma música tradicional de uma surpreendente vitalidade, recebendo, mesclando, transformando e recriando elementos de outras latitudes, que acabaram por dar origem a géneros fortemente caracterizados e enraizados no seu universo.
Os ritmos assim nascidos traduzem toda a idiossincrasia deste povo e constituem, antes de mais, verdadeiras crónicas vivas e expressivas da sua vida, como companheiros de trabalho, exprimindo a alegria, a nostalgia, a esperança, o amor, a jocosidade, o apego à terra, os problemas existenciais bem como a própria natureza.
É assim, que vamos encontrar muitos géneros vocais e instrumentais comuns a várias ilhas; outros próprios de uma só ilha, de duas ilhas vizinhas ou mesmo distantes; quase todos eles monódicos, às vezes em uníssono e a solo.
Nas ilhas agrícolas, nomeadamente St. Antão, S. Nicolau. S. Tiago, Fogo e Brava, onde o homem cuida da terra que lhe dá o pão para o seu sustento, decerto à custa de dificuldades várias, iremos encontrar as cantigas agrícolas umas vezes doloridas outras alegres. (...)"

O artigo completo pode ser lido aqui ou In “Os Instrumentos Musicais em Cabo Verde”, pp. 13 a 25, Ed. Centro Cultural Português / Praia – Mindelo

19.11.07

Poema


Ró-Rojinha perguntas porque não ponho nada de novo. É uma daquelas fases. O melhor é ficar parada para não deletar tudo. Mas olha... ando a ouvir esta musica. É linda. Presta atenção ao Poema. Bijin.

8.11.07

Outra vez "Perdão Emília"

Um dos posts mais visitados deste blog pelo pessoal do Brasil é o “Perdão Emília, Morna, Modinha ou Fado de Coimbra?” de 12 de Maio de 2006. As palavras chave utilizadas para chegar até ao texto são “Perdão Emília” e “Noivado do Sepulcro + Soares de Passos”. O post surgiu por acaso, fruto de uma - de muitas - "briga teimosa" que eu e o Senhor Loiojoais travamos e que nos levou a descobrir que a morna afinal nem é morna, podendo a letra bem mais antiga do que se pensa (1889) ou pelo menos as suas influências. Hoje estive a “re-sgrovetar” no assunto e coloquei outros dados: Perdão Emília foi a primeira modinha a ser gravada pela Casa Edison (Brasil) em 1902 e em 1906 ocupou o 13º lugar do Top 40 brasileiro. Falta-me apenas acrescentar a letra da versão que recentemente foi gravada por um cantor caboverdeano para actualizar o post do ano passado. Fica a sugestão de leitura, para quem estiver interessado e com tempo - uma vez que, penso eu, é o maior post que já publiquei.
Imagem: The Bride de Marc Chagall (pormenor) - daqui.

7.11.07

Uma madrugada surreal

Quando acordo de madrugada – por motivos mil – vou ao meu pequeno quintal, em forma de aquário embaciado e conto todas as estrelas que consigo observar enquanto fumo um cigarro. O rectângulo de céu que contemplo, ladeado por muros altos, é sempre diferente.
Numa noite dessas, uma brisa suave desfiava as nuvens, desenhando no firmamento o efeito de um riacho que corria tranquilo lá no alto. Estendi a mão, fazendo de conta que mergulhava na água, e tentei apanhar um dos brilhantes que luziam caídos no leito.
Algo de surreal aconteceu… o riacho mudou de curso. Deslizou do céu numa obliqua à parede branca e veio desembocar no meu quintal feito cascata de luz. Dei por mim flutuando no delírio de me afogar… como os meninos do conto de Gabu. Nesse momento, enquanto o cigarro se consumia sozinho, alaguei a alma em soluços mudos ou, se calhar, foram apenas os meus olhos que se derramaram… não sei.
Seguidamente o ribeiro desenhou o seu caminho de volta numa linha alada. Ainda quis guardar uma estrela de recordação, assim como quem guarda a continha de vidro de um colar bonito que se partiu, mas já não valia a pena. É melhor idealizar o todo, ainda que evocado, do que a mera visão do fragmento que não mais será.
Nessa madrugada parei de contar na quadragésima oitava estrela Tio. Penso que vou deixar de tentar entender o porquê. Seria uma grande decepção confirmar que podemos todos estar aqui por fruto do mero acaso e da mesma forma partimos. - Quadro de Rachel Bullock tirado daqui.

30.10.07

Rádio Clube Mindelo - CR4AB

Já sabem que me eu acho piada a estas "velharias".
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" (...) Criada em 1946, a Rádio Clube do Mindelo iniciaria as suas emissões em Junho de 1947, emitindo ás terças, quintas, sábados e domingos entre as 18H e as 19H30mn. Dez anos mais tarde, a proclamada “Voz de São Vicente” emite diariamente, na banda dos 62 metros, frequência de 4.755 kc/s das 18h30 às 20h. Com uma programação variada que incluía desporto, actuações em directo e, na década de 60, o seu próprio concurso de músicos e conjuntos á semelhança da Rádio Praia.
Em Junho de 1954, o Grémio Recreativo do Mindelo apresentava aos sócios a aparelhagem destinada ao seu serviço de radiodifusão. Um ano mais tarde, com apoio estatal, nascia a Rádio Barlavento, emitindo diariamente na banda dos 50,2 metros, das 18h30 às 19h30. Funcionando no edifício do Centro Nacional de Artesanato e antiga casa do senador Vera-Cruz, e ali foram realizadas as primeiras gravações editadas em disco.
A Rádio Barlavento, considerada elitista por ser originária da elite mindelense, e anti-independentista, foi ocupada a 9 de Dezembro de 1974 e transformada em Rádio Voz de S. Vicente que , tal como a Rádio Clube de Cabo Verde veria a desaparecer com a criação da Rádio Nacional de Cabo Verde que as absorveu. (...)" por Glaucia Nogueira
.
Ler mais em RTC.CV

24.10.07

Sedução

Eu e ela concordamos… foi uma das cenas de sedução mais encantadores que já apreciamos. Ela ainda acrescentou que só faltou um holofote para tudo ser perfeito. Foi doce. Terno. Irreal. Havia duas pessoas adultas e o resto do mundo que se apagou. Acho que o tempo se deteve, envolvido que estava com a melodia da morna e todos nós ficamos, de certa forma, invisíveis. E ela e eu na deles… hipnotizadas. Se calhar alguém também nos observava enquanto guardávamos o momento. A conversa entre os dois demorou uns poucos minutos mas foi o leve bailado dos movimentos que manteve o nosso olhar preso. Houve um sorriso tímido, derretido… uma linguagem corporal sensual que parecia acompanhar a voz rouca do cantor. Arrepiou, na sala de espectáculos, o toque daquela mão no antebraço do outro e o brilho na face de quem se deixou enfeitiçar. Foi quando tive a impressão de estar a pairar que eu e ela nos entreolhamos. Sorrimos. Nós cá dentro observando. Eles lá fora se curtindo, descobrindo, cativando… Depois? Depois soltamos o fôlego e voltamos a prestar atenção ao show. Ela e eu testemunhamos a beleza do momento e concordamos - horas mais tarde, em conversa - que foi das cenas de sedução mais bonitas que presenciamos, pouco nos importanto que eles fossem do mesmo sexo, é que... para seduzir apenas é necessário génio e não géneros.

C’mád espero ter feito alguma justiça ;)

16.10.07

O Tempo e o...

Ser Tigre
.
O tigre ignora a liberdade do salto
é como se uma mola o compelisse a pular.
Entre o cio e a cópula
o tigre não ama.
Ele busca a fêmea
como quem procura comida.
Sem tempo na alma,
é no presente que o tigre existe.
Nenhuma voz lhe fala da morte.
O tigre, já velho, dorme e passa.
Ele é esquivo,
não há mãos que o tomem.
Não soa,
porque não respira.
É menos que embrião
abaixo do ovo,
infra-sémen.
Não tem forma,
é quase nada, parece morto.
Porém existe,
por isso espera.
Epopéia, canção de amor,
epigrama, ode moderna, epitáfio,
Ele será
quando for tempo disso.
.

Nueva refutación del tiempo
.
El tiempo es la sustancia de la que estoy hecho.
El tiempo es un río que me arrebata, pero yo soy el río;
es un tigre que me destroza, pero yo soy el tigre;
es un fuego que me consume, pero yo soy el fuego.
El mundo, desgraciadamente es real; yo desgraciadamente soy Borges.

15.10.07

Guiné... Do Séc. XIII a princípios do Séc. XX

O texto e as ilustrações que seguem são a primeira parte de um post que se encontra no blog Guiné, Ir e Voltar.

"No século XIII, chegam a esta região da costa ocidental de África os povos naulu e landurna, na sequência do declínio do império do Ghana. É já no século XIV que esta zona passa a integrar o vasto império do Mali, vindo os primeiros navegadores portugueses a estabelecer contacto com ela em 1446-47.Inicia-se então um longo processo de implantação do monopólio comercial na região, incluindo ouro e escravos, o qual vai ser, durante muito tempo, frequentemente e sobretudo contestado por corsários e traficantes franceses, holandeses e ingleses. Em 1588 os portugueses fundam, junto à costa, em Cacheu, a primeira povoação criada de raiz, a qual será sede dos capitães-mores, nomeados pelo rei de Portugal, embora sob jurisdição de Cabo Verde. Seguir-se-á a criação da localidade de Geba, bem no interior do continente. Em 1642, os portugueses fundam Farim e Ziguinchor, a partir da deslocação de habitantes de Geba, dando início a uma ocupação das margens dos rios Casamança, Cacheu, Geba e Buba, a qual se torna efectiva em 1700, passando então a zona a ser designada por Rios da Guiné. Amura, século XIV (Travassos Valdez, África Ocidental).
Entre 1753 e 1775 inicia-se a construção da fortaleza de Bissau, a partir do trabalho de cabo-verdianos vindos especialmente das Ilhas de Cabo Verde para o efeito. Em 1800 a Inglaterra começa a fazer sentir a sua influência na Guiné, iniciando a sua reivindicação pela tutela da ilha de Bolama, arquipélago dos Bijagós, Buba e todo o litoral em frente. Com a abolição da escravatura no século XIX, sobrevém uma crise económica que tem como consequência o início da produção de novas culturas, como a mancarra (amendoim) e a borracha. Em 1870, por arbitragem do presidente dos EUA, Ulysses Grant, a Inglaterra desiste das suas pretensões sobre Bolama e zonas adjacentes. Com a vitória militar dos felupes de Djufunco, em 1879, no que ficou a ser conhecido na história como o “desastre de Bolol”, onde os militares portugueses sofreram a mais dura derrota no confronto com as populações locais, a coroa portuguesa decide a separação administrativa de Cabo Verde e a criação da “Província da Guiné Portuguesa”, com capital em Bolama. Numa tentativa de afirmação da soberania portuguesa, verifica-se então o início de acções militares punitivas contra os papeis em Bissau e no Biombo (1882-84), os balantas em Nhacra (1882-84), os manjacos em Caió (1883) e os beafadas em Djabadá (1882). A estratégia colonial passa igualmente por uma segunda vertente: o apoio sistemático com tropas e armamento a uma das partes dos conflitos indígenas. É o que se passa em 1881-82, com o apoio aos fulas-pretos do Forreá na sua luta com os fulas-forros. Os focos de contestação e a rebelião permanente e consequente dos diversos grupos étnicos fez com que o poder colonial se limitasse ao controlo de algumas praças e presídios (Bissau, Bolama, Cacheu Farim e Geba). Paralelamente, começa a instalação de propriedade de colonos ou de luso-africanos, em várias explorações agrícolas de grande dimensão (pontas) inicialmente dedicadas ao cultivo da mancarra. Em Maio de 1886, são delimitadas as fronteiras entre a Guiné Portuguesa e a África Ocidental Francesa, passando a região de Casamança para o controlo da França, por troca com a região de Quitafine (Cacine), no sul do país. A população desencadeia a partir do final do século XIX uma decidida vaga insurreccional em Oio (1897 e 1902), no Chão dos Felupes (1905), Badora e Cuor (1907-08) e a Guerra de Bissau (1908) que juntou Papeis e Balantas do Cumeré.
Fotografia em cima: Estatua de Ulisses Grant em Bafatá.
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O resumo continua... A meio desta página do Tantas Vidas está a parte que diz respeito à Historia da Guiné-Bissau no Séc. XX

11.10.07

A proposito da Guiné... Didinho.Org

Tenho evitado falar da Guiné porque penso que as memórias que tenho dela são idealizadas e retorcidas. Daí que não queira traduzir nenhum tipo de saudade passadista. Posso dizer, apesar de todas as vicissitudes, que a minha infância foi mágica e feliz (e um dia escreverei sobre isso). Claro que, generalizando, todos pensam o mesmo da meninice. Infelizmente a Guiné de hoje apresenta um cenário triste e um futuro sombrio. E, tenho que o expressar, acho que os muitos caboverdeanos que lá nasceram, cresceram e se fizeram adultos, a abandonaram. É a própria História a confirmar essa premissa quando, em 1980, com o Golpe de Estado, o C do “Dôs Corpu um Corçon” se liberta, com um grande alívio, do G. Em Cabo Verde, às vezes, fico com a sensação que a única herança que restou, para quem lá viveu, são as comidas típicas como o tchabéu, o caldo de mancarra ou outras, que se degustam, sem remorso ou amargo de boca, em grandes almoçaradas. Nessas ocasiões há o ritual de recordar a infância e vida na altura, com um saudosismo quase idiota, sendo a presente conjuntura, a maior parte das vezes, higienicamente ignorada. Raros são os que sequer lá voltaram. Aquele país deu muito aos caboverdeanos, incluindo uma Independência sem sofrimentos, sem viúvas e/ou órfãos, sem traumas e mutilados. Muitos dirão que a vida continua. É verdade, mas a mim, confesso, faz-me falta esse pedaço, o lugar da minha mininéça. Imagino o que não faltará aos outros...
Há muitos sites com o objectivo de divulgar o que acontece, presentemente, na Guiné-Bissau e Didinho.Org é um deles. A descobrir porque as palavras e as ideias ainda podem ajudar a mudar o mundo. Obs: Fotografia de Hugo Delgado

6.10.07

Recordar Travadinha em "Maria Barba"

De seu nome verdadeiro, António Vicente Lopes, o violinista Antoninho Travadinha foi um dos maiores músicos autodidactas de Cabo Verde, originário da ilha de Ilha de Santo Antão. Começou a tocar nos bailes populares quando tinha apenas nove anos, mas só alcançou a fama já nos seus quarenta anos, quando empreendeu uma tournée por Portugal. Para além do violino, Travadinha tocava também maravilhosamente bem viola (guitarra de 12 cordas), cavaquinho e violão. Travadinha interpretava géneros musicais tradicionais de Cabo Verde, tais como mornas e coladeiras. Faleceu em 1987 no auge da popularidade. Foi, sem qualquer dúvida, um dos mais talentosos violinistas (tocadores de rabeca) de Cabo Verde. Nasceu numa família de músicos. O seu pai também era violinista e os seus sete irmãos tocavam violão. Com que mais poderia brincar uma criança que com os instrumentos musicais que encontrava pela casa? Aos nove anos, e apesar do pai o proibir de tocar, ele já animava bailes locais com a sua rabeca. Devido à sua humilde condição social o seu reconhecimento não foi fácil: Travadinha teve que esperar até aos seus 40 anos para começar a tornar-se conhecido como músico, particularmente depois de, em 1981, ter realizado uma série de actuações em Portugal. Da wikipedia.org. "Entre 1981 e 1986, Travadinha deslocou-se duas vezes a Portugal, ocasiões em que gravou os seus dois discos existentes no mercado: o primeiro, ao vivo, resultante de um concerto no Hot Clube em 1982; o segundo, “Feiticeira de Cor Morena”, em 1986. Ambos produzidos pelo fotógrafo e investigador português João Freire. Em Novembro deste ano o violinista de Janela, Santo Antão, completaria 70 anos. Também este ano, completam-se duas décadas do seu falecimento." Na Semanaonline.