27.2.08

USS Saratoga no Porto Praya em 1843 e mais...

Ainda na linha dos posts anteriores, e porque é sempre interessante ler o que outros escrevem sobre estas ilhas, fica o início de um artigo, enviado pela minha amiga Gilda, de J. Peter Pham, Ph.D., intitulado "Cape Verde: A Rare African Success".
"On July 22, 1843, the 22-gun first class sloop-of-war USS Saratoga sailed into Porto Praya (modern-day Praia), the chief town in what was then the Portuguese-held Cape Verde Islands. Under the command of the 49-year-old Captain Matthew Calbraith Perry, the Saratoga was one of four ships (...) which constituted America’s first-ever standing military commitment to Africa, the United States Navy’s Africa Squadron. Under the provisions of the Webster-Ashburton Treaty, ratified one year earlier, the United States committed itself to maintaining a naval presence with an aggregate of at least 80 guns off the coast of Africa to help enforce the international ban on the transatlantic slave trade against American-flagged vessels. Acting under orders from Secretary of the Navy (...) Perry, the squadron’s flag officer, negotiated with the colonial authorities and established what would, for the next two decades, be the Navy’s only permanent squadron. Thus began America’s relations with what eventually emerged as quite an exceptional African nation, the Republic of Cape Verde. (...)".
Imagem do USS Saratoga retirada da Wikipedia/USS Saratoga/1842.
O artigo, de 2008, continua, fazendo um breve resumo da história de Cabo Verde e uma análise aprofundada à estratégia político-económica do país na actualidade. Vale a pena "perder" uns minutos e ler.

11.2.08

A Batalha Naval do Porto da Praia

"The Battle of Porto Praya was a naval battle which took place during the American Revolutionary War on April 16, 1781 between a British squadron under Commodore George Johnstone and a French squadron under the Bailli de Suffren. Both squadrons were en route to the Cape of Good Hope, the British to take it from the Dutch, the French aiming to help defend it and French possessions in the Indian Ocean. The British convoy and its escorting squadron had anchored at Porto Praya in the Cape Verde Islands to take on water, when the French squadron arrived and attacked them at anchor. Tactically the battle was a British victory, since some of the French ships were not ready for action, forcing Suffren to withdraw. Strategically however, the French had won the day. Suffren beat Johnstone to the Cape and managed to warn the Dutch, before continuing on his journey to the Ile de France (now Mauritius)." Na Wikipedia. E aqui a gravura acima (a preto e branco e numa escala maior) com a seguinte legenda: Combat Naval de la Praya 16 Avril 1781. Galrie Histque de Versailles.
.
Num outro site, e sobre a mesma batalha, há mais dados...
.
Le combat de La Praya - Tableau du marquis de Rossel
"Un raid à La Praya: En 1781, le bailli de Suffren recevait le commandement d'une division chargée de transporter des troupes au cap de Bonne-Espérance et composée de: 1 frégate, 1 corvette et 5 vaisseaux (2 de 74, le Héros, avec Suffren, et l'Annibal) et 3 de 64 canons. Aux îles du Cap-Vert, le vaisseau de 64 l'Artésien, contraint de faire aiguade, partit en reconnaissance et aperçut une flotte anglaise ; il dénombra 4 vaisseaux, 4 frégates, 10 vaisseaux (armés) de la Compagnie des Indes, ainsi que 16 transports.
(...) Ce fut un raid violent et les Anglais subirent des avaries telles que Suffren leur échappa et parvint avant eux au Cap, où il put débarquer les troupes destinées à la défense de la colonie. Quinze jours plus tard, les Anglais étaient en vue, mais il leur fallut renoncer à débarquer ; l'audace de Suffren avait été payante."

4.2.08

Eye of the Beholder

There are various eyes.

Even the Sphinx has eyes:

and as a result there are various "truths,"

and as a result there is no truth.

Friedrich Nietzsche
.

1.2.08

E no Mindelo... o Carnaval!

Préparatifs du Carnaval (défilé: 5 février 2008)
Les Mandingues sont chargés de frayer un chemin aux danseurs
parmi les spectateurs: gare aux tâches sur les vêtements...
.
Fotografia e Legenda de Mix.Dax em Mindelo.Info
aqui reproduzidas com a devida vénia.

30.1.08

Praya em 1793

Ao longo de séculos muitas foram as expedições que passaram por estas ilhas. Uma delas deu origem ao livro A Voyage to Chochinchina, editado em 1806, e escrito por John Barrow (1764-1848). Nele estão relatados os pormenores da viagem efectuada entre 1792 e 1793, com capítulos dedicados aos locais onde aportaram e logo a St. Jago (paginas 57 a 71). É triste ler a forma como ele descreve o cenário que encontra na "city, as it is unworthily called, Praya". Miséria, doença, fome, seca e sobretudo abandono (paginas 65 e ss). Foi preciso muita tenacidade para ainda aqui estarmos... O livro encontra-se inteiramente digitalizado e está acessível através do site da Biblioteca Nacional Digital portuguesa. A imagem abaixo, consta da mesma publicação e dá uma visão extraordinária da paisagem nesse tempo.
Clicar no título do post para visualizar melhor.
Esta mesma gravura, numa reimpressão actual, encontra-se à venda na net por 90 USD (com moldura!). Muitos outros exemplos tenho encontrado nos meus "sgrôvets" on line... documentos acessíveis a quem os queira adquirir, sejam eles originais certificados ou cópias de qualidade. Acredito que, com um orçamento razoável, se poderia comprar muita coisa para o acervo deste país. Quanto mais não fosse... para fazer exposições em que crianças e adultos pudessem apreciar algo mais que projectos virtuais e em papel. Fica a divagação e a esperança...

26.1.08

Porto Praya - St. Jago - Cape de Verd Islands por Charles Darwin em 1832

Já tinha escrito sobre a Viagem do Beagle (ver posts relacionados nas etiquetas: expedições e Darwin). Como encontrei o livro em word na net fica o link e um pequeno excerto para despertar o interesse...
"The neighbourhood of Porto Praya, viewed from the sea, wears a desolate aspect. The volcanic fires of a past age, and the scorching heat of a tropical sun, have in most places rendered the soil unfit for vegetation. The country rises in successive steps of table-land, interspersed with some truncate conical hills, and the horizon is bounded by an irregular chain of more lofty mountains. The scene, as beheld through the hazy atmosphere of this climate, is one of great interest; if, indeed, a person, fresh from sea, and who has just walked, for the first time, in a grove of cocoa-nut trees, can be a judge of anything but his own happiness. The island would generally be considered as very uninteresting, but to any one accustomed only to an English landscape, the novel aspect of an utterly sterile land possesses a grandeur which more vegetation might spoil. A single green leaf can scarcely be discovered over wide tracts of the lava plains; yet flocks of goats, together with a few cows, contrive to exist."
O mais engraçado é que, passados 176 anos, as cabras e as vacas, para além de existirem, andam pelos lugares mais improváveis desta Menina do Atlântico. Adiante...
Num outro site, com as obras completas de Charles Darwin (digitalizadas e em word) encontrei o mapa acima - desenhado na mesma viagem - que revela o recorte do litoral e um pouco do interior de Santiago. É interessante constatar que o Monte Vermelho (actualmente minguando a olhos vistos) tem esse mesmo nome há muitos mais anos do que imaginava.

24.1.08

Cize e Kayah em "Embarcação"

17.1.08

Diálogo improvável de palavras certas

Dizem que ele escreveu um dia...
"No passado cometi o maior pecado que um homem pode cometer: não fui feliz."
Ela poderia perfeitamente ter respondido de forma sagaz
- Desênrascá! Desênrascá bô vida.
... se eles estivessem frente a frente nalgum universo alternativo.
Ele e ela num lugar qualquer de uma cidade que não Mindelo ou Buenos Aires. A frase lida e o eco...
- ... vida... ida... da... a.
É que... - ocorreu-me agora - e se as palavras não se desligam de quem as pronunciou e também não se perdem? E se eco continua a reverberar por outros mundos. Baralham-se os personagens, o espaço e se calhar até o tempo, mas elas ressoam infinitamente criando situações estranhas e diálogos improváveis a esta realidade. Fatalismo surreal esse. Se assim for, em que lugar estarei eu noutros universos? Eu que agora e aqui escrevo este post? Quem me condiciona? Ou condicionarei eu a a ida da vida?
.
Fotografias do Mestre e da Voz .

16.1.08

Do rigor na ciência - Jorge Luís Borges

...Naquele Império, a Arte da Cartografia atingiu uma tal Perfeição que o Mapa duma só Província ocupava toda uma Cidade, e o Mapa do Império, toda uma Província. Com o tempo, esses Mapas Desmedidos não satisfizeram e os Colégios de Cartógrafos levantaram um Mapa do Império que tinha o Tamanho do Império e coincidia ponto por ponto com ele. Menos Apegadas ao Estudo da Cartografia, as Gerações Seguintes entenderam que esse extenso Mapa era Inútil e não sem Impiedade o entregaram às Inclemências do Sol e dos Invernos. Nos Desertos do Oeste subsistem despedaçadas Ruínas do Mapa, habitadas por Animais e por Mendigos. Em todo País não resta outra relíquia das Disciplinas Geográficas. (Suárez Miranda: Viagens de Varões Prudentes, livro quarto, cap. XIV, 1658.)
.

10.1.08

1899 no Mindelo - Wilson, Miller & Cory e Madeira

Bill of Exchange, to pay Captain Dewis Spicer forty pounds sterling, 26 December 1899
Clicar na imagem para ver melhor

O documento que ilustra o post faz parte do acervo da família Spicer. Em Dezembro de 1899 Dewis Spicer, então Capitão do Glooscap, escala o Porto Grande, a caminho de Manila, nas Filipinas. No porão carrega cerca de 280 toneladas de carvão que procura vender, tendo, para o efeito, contactado a Millers & Cory's C.V.I. Ltd e a The St. Vincent Coaling Co. (se bem entendi, empresa franca e filial da Wilson, Sons & Co.). Nesse intervalo - entre a efectivação da venda da mercadoria, com alguns problemas pelo meio, e os preparativos para seguir viagem - dá-se a última quadra natalícia do século XIX. Na Casa Madeira, ou melhor, na Madeira & Cª, vários géneros alimentícios e uma quantidade razoável de tinta vermelha são requisitados. A lista de compras é, no mínimo, curiosa, pois, para além da relação produto/preço, dela constam 2 itens que me deixaram surpreendida - 1 perú e 50 laranjas. Entretanto... não posso deixar de imaginar como terá sido, para a tripulação do Glooscap, passar a mudança de século na baía do Mindelo. Gostei de "descobrir" os documentos. São nomes de empresas que marcaram a ilha de São Vicente na altura e deixaram marcas no imaginário de muitos.

21.12.07

What a Wonderful World by Louis Armstrong

Feliz Natal e Prospero 2008

11.12.07

Eerie Feeling

In the towns I am tracked by phantoms
having weird detective ways
Thomas Hardy
Obs: fotografia roubada algures. Lamento.

7.12.07

A Grande Viagem

"Tem uma negona véia cantora lá da ilha de Cabo Verde, na África, que eu sou apaixonado! O nome dela é Cesaria Évora! A mulher canta no dialeto Crioulo, um português que não é português mas acaba sendo português, sabe? O mais estranho é que tu ouve e jura que tá sabendo o que ela tá cantando, quando não tá sabendo porra nenhuma. Eu até copiei um texto na internet escrito em crioulo, olha que viagem: "Kamaradas ku jintis ku na sukutanu, bô tardi. Bu kontinua na sukuta Radio Difusão Nacional di Republika di Giné-Bissau. Na studiu no tene uma ora mas trinta minutu. No na tchoma bos atenson pa prezentason di no noba di uma ora i trinta minutu di tardi na kriolu Mil novisentus oitenta i oitu anu di ristruturason i ifisiensia, tona kunpu kusa ku bali. No na kontinua ku aparelhu di stadu kunumeru di djintis ciu ku ka prisisadu, ku ta aumenta grava pesu di gastu ku salariu, ki ta punu no ka ta bin pudi paga salariu justu pas kilis ki na bardadi e ta tarbaja e ta pruduzi. Es i konbersa di General di Divison Jon Bernardu Vieira, Sekretariu Geral di PAIGC i Prezidenti di Konselhu di Stadu."
Agora, imagina isso cantado...baixa uma músia dela: "Nutridinha".
.
Que grande viagem... eh eh! Está em: As Mulatas de Jesus Cristo.

4.12.07

Na tarde do dia 30 de Julho de 1967...

A maioria das pessoas - pelo menos até à minha geração - que viveu na Praia, nas décadas de oitenta e noventa, conhece ou já ouviu falar do Senhor Hilário Brito. Num tempo em que não havia parabólicas e/ou outras opções, o sinal que a antena dele emitia era a alternativa certa sintonizada em muitas televisões desta cidade. Uma grande figura da Praia sem dúvida.
Clicar no nome do post para descobrir mais.

30.11.07

“Breves Apontamentos sobre as Formas Musicais existentes em Cabo Verde” por Margarida Brito

Queria chamar a atenção para este texto, de 1998, que pode ser lido em At-Tambur.com. Começa assim:
"Cabo Verde, ao longo da sua história, elaborou uma música tradicional de uma surpreendente vitalidade, recebendo, mesclando, transformando e recriando elementos de outras latitudes, que acabaram por dar origem a géneros fortemente caracterizados e enraizados no seu universo.
Os ritmos assim nascidos traduzem toda a idiossincrasia deste povo e constituem, antes de mais, verdadeiras crónicas vivas e expressivas da sua vida, como companheiros de trabalho, exprimindo a alegria, a nostalgia, a esperança, o amor, a jocosidade, o apego à terra, os problemas existenciais bem como a própria natureza.
É assim, que vamos encontrar muitos géneros vocais e instrumentais comuns a várias ilhas; outros próprios de uma só ilha, de duas ilhas vizinhas ou mesmo distantes; quase todos eles monódicos, às vezes em uníssono e a solo.
Nas ilhas agrícolas, nomeadamente St. Antão, S. Nicolau. S. Tiago, Fogo e Brava, onde o homem cuida da terra que lhe dá o pão para o seu sustento, decerto à custa de dificuldades várias, iremos encontrar as cantigas agrícolas umas vezes doloridas outras alegres. (...)"

O artigo completo pode ser lido aqui ou In “Os Instrumentos Musicais em Cabo Verde”, pp. 13 a 25, Ed. Centro Cultural Português / Praia – Mindelo