3.6.08

Carta da Ilha do Fogo - 1894

Escala - 1:100000 / Suporte: papel
Tamanho: 34,70x45,20 cm em folha de 45,30x55,60 cm
Outros dados sobre a publicação aqui e carta daqui.
Um esboço (?) do mesmo mapa neste endereço.
Na Enciclopédia Britânica de 1911 dados da ilha na época.

15.5.08

A Hidrobase da Calheta de São Martinho - 1927

Tinha prometido "sgrôvetar" o Fogo e Santo Antão mas o tempo anda curto. Entretanto, recebi do meu pai, via email, informações interessantes sobre a hidrobase que existiu na Calheta de São Martinho - Santiago e do acidente que aconteceu com um dos hidroaviões usadas na época, o CAMS 51... Não resisti! Segue-se o despacho da Panapress de 12 de Dezembro de 2003: “(…) Os Correios de Cabo Verde (CCV) lançaram (…) uma série de quatro selos alusivos ao 75º aniversário da base francesa de hidroaviões (hidrobase) na localidade da Calheta de São Martinho, nos arredores da capital cabo-verdiana (…). A hidrobase, construída em 1927 pela Companhia Geral da Aeropostal, funcionou durante algum tempo como local onde os hidroaviões saídos da França deixavam o correio que depois era transportado por navios para a América do Sul. Nesse período, em que acolheu a base de hidroaviões, Cabo Verde assumiu um papel de destaque na aviação comercial Europa-América do Sul via África, realçado recentemente por uma investigação publicada em edição bilingue, francês e português, realizada pelo jornalista Vladimir Monteiro, da agência cabo-verdiana de notícias, Inforpress. A escolha de Cabo Verde como escala visou encurtar a distância entre a Europa e a América do Sul. Ao optar por Cabo Verde em detrimento de Dakar, no Senegal, reduzia-se a distância em 130 quilómetros. Nessa altura o correio era transportado de hidroavião de Toulouse, França, com escala em S. Louis, Senegal, e chegava à Calheta de S. Martinho, Cabo Verde, onde era colocado a bordo de um antigo barco militar francês rumo ao Recife, Brasil. Para além da hidrobase, foi também construída na localidade de Calheta de S. Martinho uma estação de rádio de grande potência, que viria a revelar-se como o "principal pilar da segurança aérea no Atlântico Sul". Mesmo depois de desactivada a hidrobase, Cabo Verde continuou a ser importante para a Aeropostal, pois "são os faróis e as balizas destas ilhas, equipados com emissores-receptores", que vão guiar as suas aeronaves na travessia do Atlântico. Os quatro selos lançados pelos CCV incluem um mapa da linha aérea da Aeropostal, imagens parciais da hidrobase, um hidroavião CAMS- 51 e a imagem do tenente Paulin Paris, o primeiro piloto a efectuar a ligação entre Saint-Louis, no Senegal, e Calheta de São Martinho. (…)”
E no fim de uma outra página... O CAMS 51: "Hydravion de reconnaissance. Premier vol en janvier 1927. 1 seul exemplaire construit. (...) Il est testé à St Raphaël en 1926. En mars 1928 il est envoyé à St Louis du Sénégal, après quelques vols sur l'Atlantique il est détruit au cours d'un décollage par gros temps à Porto Praïa. Un second appareil désigné CAMS 51 GR n° 002, non armé apparaît en 1927 motorisé par des Gnôme Rhône Jupiter de 480 ch. il bat le 18 août 1927 avec le Lt de Vaisseau Paris comme pilote, le record mondial d'altitude pour hydravion. Transféré ensuite au Sénégal il est réformé en 1933. Aucune série du 51 ne verra le jour." Resta saber se o acidente com o CAMS 51 se deu realmente na Praia ou se se trata de um engano e tudo aconteceu na Calheta de São Martinho.
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A imagem do selo, foi retirada daqui. A pausa agora é a sério... até daqui a duas semanas!

14.5.08

Intervalo

Darkness is to space what silence is to sound, i.e., the interval.
Marshall McLuhan

8.5.08

As crónicas perdidas de Desiré Bonnafoux...

O autor de “Linhas Férreas em Cabo Verde”, artigo que coloquei no blog, em dois posts, em Julho de 2007, procura as crónicas perdidas de Desiré Bonnafaux... Em fins de Março passado, a propósito de um comentário pertinente num dos posts atrás mencionados, entrei em contacto com o Sr. Salomão Vieira e aproveitei para perguntar como seguia a pesquisa relativa ás Salinas de Pedra de Lume, na ilha do Sal. Divulgo - com devida autorização e na tentativa de encontrar alguma pista - a resposta que recebi...
“Consegui saber mais umas quantas coisas sobre a indústria do sal da ilha do dito, especialmente durante os primeiros vinte anos do séc. XX, mas depois do início das actividades da ‘Salins du Cap Vert’ em Pedra do Lume e da Companhia de Fomento em Santa Maria, especialmente a partir dos anos 30 já pouco mais pude saber.
Toda a minha pesquisa se orientava e orienta no sentido já agora de saber como evoluiu a indústria do sal e as actividades daquelas duas empresas a partir daí, e se houve ou não uma pequena locomotiva nas vias férreas da ilha do Sal. E também saber pormenores do teleférico instalado em Pedra Lume.
Um nome parece ser referência fundamental nesta pesquisa – o de Desiré Bonnafoux, que foi durante anos técnico e dirigente da ‘Salins’. Só que eu não consegui encontrar qualquer escrito deste senhor (e sei que os há) que nos fale das salinas. Tive inclusivé contactos com o Dr. Germano de Almeida que me forneceu algumas pistas, como o jornal “Dja de Sal”, onde haveria algumas crónicas de Desiré Bonnafoux, mas também não consegui chegar aceder a este jornal.”
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Lanço daqui o apelo... se por acaso alguém souber dar informações sobre onde ou como encontrar as crónicas perdidas ou exemplares do jornal “Dja de Sal”… Imagem daqui e um breve historial da ilha do Sal neste site.

5.5.08

2 anos...

2.5.08

Plan of Porto Praya - 1812

Mais um mapa... Este está no site do National Maritime Museum de Londres e permite, mediante o zoom, que a visualização do documento seja feita por segmentos, dando conhecer detalhes que normalmente escapam noutros exemplares que se encontram on line.
Title:
Plan of Porto Praya in the Island of St Jago. One of the Cape Verd Islands.
Historical Data:
The Cape Verde Islands were a Portuguese colony and had long been used as a staging post for slaving vessels. (...) a survey of the fortifications in 1812.
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Outras informações (edição, escala, etc)
A não perder: o Zom do Mapa

29.4.08

Contrastes: Klimt X Schiele

Quadros: A imagem do primeiro é de Gustav Klimt e a do segundo é de Egon Schiele. As ilações e outras descobertas é por vossa conta.

22.4.08

Ain't No Sunshine...

Ouvi esta musica há uns poucos dias na tv. Depois de tanto decreto apeteceu-me...

... is a song by Bill Withers from his 1971 album Just As I Am. (...)

17.4.08

O dia 29 de Abril de 1858 e as Villas de Mindello e Bissau

Conforme o prometido e porque são hoje duas cidades referência para mim - numa nasci e noutra vivi - ficam mais estes dois Decretos de 29 de Abril de 1858, que elevaram à categoria de Villas as povoações de Bissau, capital da Guiné, e Mindello, na ilha de São Vicente.
Na Wiki há uma página sobre o Desembarque no Mindelo que é um bom ponto de partida para mais pesquisas sobre o assunto... e já agora, o tal "Augusto Avô" referido no decreto "Mindello" é o Rei D. Pedro, o IV de Portugal e I Imperador do Brasil.

No entanto "Bolama foi elevada à categoria de cidade em 1913 e foi a capital da antiga Guiné Portuguesa até 1941. Em 1942 a capital muda de Bolama para Bissau, que já então era, de facto, a “capital económica” da Guiné." Citação (e síntese da história da Guiné-Bissau) aqui.

15.4.08

A Cidade da Praia, a Abolição da Escravatura e o dia 29 de Abril de 1858

... e porque nos próximos dias muito se vai falar muito do dia 29 de Abril de 1858, dos 150 anos desta Cidade e dos factos históricos que lhe deram origem, queria chamar a atenção para outros assuntos, ligados ao mesmo dia, que talvez não sejam tão conhecidos.

A data da passagem da Villa da Praia a Cidade estará sempre ligada um outro marco importante… o dia em que "o estado de escravidão (ficou) inteiramente abolido, em todas as Províncias Portuguezas do Ultramar, sem excepção alguma" ainda que a entrada em vigor estivesse prevista para o "dia em que se (completassem) vinte annos, contados da data (do) Decreto" ou seja, em 29 de Abril de 1878. Assinaram o Rei e o Visconde de Sá da Bandeira. Mas qual a razão de uma vacatio legis de vinte anos? Os custos para a Fazenda Pública. É que, conforme se pode ler no documento, passados vinte anos, o numero de escravos ter-se-ia reduzido de tal forma, que as indemnizações a serem pagas aos legítimos senhores poderiam ser "satisfeitas com uma quantia moderada(!)".
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O dia 29 de Abril de 1858 teve outros acontecimentos que, a meu ver, são interessantes... duas povoações subiram à categoria de Villa - Bissau e Mindelo - e D. Pedro V, o Rei que assinou esses mesmos os decretos, casou-se, ainda que por procuração... mas isso já é matéria para o próximo post.
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Para ler o documento da "abolição" na íntegra clicar nas imagens que ilustram o post. Um pequeno resumo sobre o processo em Portugal aqui e em Slavery - a Time Line estão as datas mais marcantes relativas à abolição da escravatura na Europa e América. Os meus agradecimentos ao Prof. GC de DT por ter facultado os decretos que mencionei e que também podem ser consultados no nosso Arquivo Histórico.

9.4.08

A Cidade da Praia e os seus 150 Anos

Mais informações brevemente...

4.4.08

Rádio Praia - CR4AA

"A história da radiodifusão cabo-verdiana começa oficialmente em 1945, com a “Rádio Clube de Cabo Verde”, popularmente denominada “Rádio Praia”. Criada pelo alvará nº2/1945, teria emissões diárias entre as 18h30 e as 20 horas, com uma programação variada (divulgada diariamente nos jornais), que incluía música nacional e estrangeira, palestras, serviços noticiosos (no início e final da emissão), além de programas de humor e uma revista feminina. Além da parte radiofónica funcionou ainda como clube recreativo, onde os sócios organizavam bailes e récitas. A partir de 1950, é declarada corporação de utilidade pública pelo governo da colónia e começa organizar concursos musicais por onde passaram muitos conhecidos intérpretes e conjuntos da capital, sendo destaque constante do periódico “ Boletim de Propaganda e Informação”.
Em 1954, altura em que Jaime de Figueiredo assume a sua direcção, as instalações da rádio passaram para o primeiro andar do edifício então construído para sede da SAGA (Sociedade de Abastecimento de Géneros Alimentícios), na praça Alexandre Alburquerque. Após a independência foi absorvida pela então criada RNCV – Rádio Nacional de Cabo Verde, que funcionou no mesmo edifício até á criação do actual edifício que alberga a RTC – Rádio Televisão Cabo-verdiana. " Por Glaucia Nogueira.
Ler o artigo na totalidade na página da RTC. Imagens daqui.
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Ainda sobre o assunto recomendo: Os primeiros rádio-amadores de Cabo Verde e Hilário Brito - CR4AD, ambos do blog O outro lado do Eu, bem como os comentários a este post.

1.4.08

Historia de la Noche

A lo largo de sus generaciones los hombres erigieron la noche. En el principio era ceguera y sueño y espinas que laceran el pie desnudo y temor de los lobos. Nunca sabremos quién forjó la palabra para el intervalo de la sombra que divide los dos crepúsculos; nunca sabremos en qué siglo fue cifra del espacio de las estrellas. Otros engendraron el mito. La hicieron madre de las Parcas tranquilas que tejen el destino y le sacrificaban ovejas negras y el gallo que perseguía su fin. Doce casas le dieron los caldeos; infinitos mundos, el Pórtico. Hexámetros latinos la modelaron y el terror de Pascal. Luis de León vio en ella la patria de su alma estremecida. Ahora la sentimos inagotable como un antiguo vino y nadie puede contemplarla sin vértigo y el tiempo la ha cargado de eternidad.
Y pensar que no existiría sin esos tenues instrumentos, los ojos.

26.3.08

Ainda do Jardim das Hespérides e do Lagarto Gigante que afinal só media 17 cm...

Muitos mitos povoam e povoaram estas ilhas... um dos mais cómicos terá sido aquele que foi apelidado por Estela Guedes, Directora do TriploV, como a maior fraude da Zoologia. O fabuloso Lagarto Gigante, o Macroscincus coctei ou o Lagarto da Atlântida. O réptil começou por medir um metro e meio e, ao longo dos anos acabou nuns meros 17 cm! Dados daqui.
No
último post... viu-se como no princípio do século passado os poetas destas ilhas evocavam o mito hesperitano, algo muito próprio do espírito da época e, se calhar, podem ter ido buscar motivos à zoologia.
É que dizia-se então que o Lagarto Gigante destas ilhas (supostamente habitante do Raso, do Branco e Santa Luzia) era o último sobrevivente do que foi outrora a Atlântida. Grandes homens da ciência da altura foram ao ponto de afirmar que o dito só se alimentava de maças - lembram-se daquelas que o dragão do mito do Jardim das Hespérides guardava? - ainda que nestas ilhas só houvesse gramíneas.
Baltasar Osório (dizia que o lagarto) se alimentava de toda a espécie de frutos polposos. Peracca (que afirmou ter trabalhado com 40 desses lagartos muitos deles vivos) foi peremptório: o alimento preferido do Macroscincus coctei eram as maçãs.”! (Dados e citações daqui).
Segundo registos, figuras das ilhas e não só, como Francisco Newton, procuraram pelos lagartos, chegando a enviar inúmeros exemplares para Lisboa e Paris. - A carta ao lado, de F. Frederico Hoppfer a Barbosa du Bocage, dá conta do envio de 2 remessas de repteis, sendo a primeira do ilhéu Branco e a segunda do Branco - Contudo, parece que os últimos exemplares, confinados que estavam ao ilheu Raso, vieram a desaparecer, quando
uns pescadores de Santo Antão, em 1915, soltaram por lá cães... De modo que até hoje nem fumo nem mandado e nem ossos do Lagarto Gigante.
Este post e antepenúltimo foram baseados no imenso material escrito por Estela Guedes, disponivel nos diversos links do index do TriploV - CaboVerde
e são assuntos que devem ser desenvolvidos por quem esta mais capacitado. O que é certo é que é estória do Lagarto Gigante é das mais engraçadas e mirabolantes que já li. Fica o convite para visitarem o site, tirarem as vossas conclusões e corrigir algum erro meu. Imagens: aqui e aqui.
Entretanto... sobre este mesmo assunto gostaria de convida-los a ler o post intitulado "Maior fraude da Zoologia, ou a superficialidade da má-fé" do Professor Jorge Sousa Brito, autor do blog O outro lado do Eu. Afinal parece que que a estória, se a houve, pode não ter sido bem assim...

15.3.08

Estas iIhas e o Mito Hesperitano

No seguimento do último parágrafo do post anterior recomendo o artigo de Ricardo Riso intitulado: Mito Hesperitano, Pasargadismo, Insularidade: momentos de construção da poesia cabo-verdiana no século XX. Destaco... "No início do século XX, os poetas tentam criar uma história, um passado para o arquipélago diferenciando-o do português colonizador, o pai, e que valorizasse a mãe-terra crioula, a mátria. Entretanto, os escritores ainda recorrem a referências européias na busca de um passado heróico para sua pátria e, assim, chegam ao mito hesperitano. As origens do mito são descritas por Simone Caputo: Aqui pontuamos um topos interessante do percurso de busca de identidade crioula: o recurso ao mito arsanário ou hesperitano como origem (associado à idéia de pátria). As obras de José Lopes e de Pedro Cardoso, já nos seus títulos (Hesperitanas, 1928, e Hespérides, 1929; Jardim das Hespérides, 1926, e Hespéridas, 1930, respectivamente) interpretam a origem como: ilhas do velho Hespério – pai das Hespéridas – que abrigavam jardins repletos de pomos de oiro, guardados pelo dragão de cem cabeças, morto por Hércules. As “ilhas perdidas no meio do mar”, destacadas por Jorge Barbosa em seu antológico Arquipélago, 1935, já eram identificadas por Camões, em Os lusíadas (canto V, VII, VIII, IX) como Cabo Verde (Cabo Arsinário ou Estrabão)." - Imagem daqui e fotografia da Caboindex