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21.9.09

1.10.08

Cabo Verde em 1699 - Ilustrações de Duplessis

"Em 1699, uma pequena esquadra composta pelos navios Le Phèlippeaux (...), Le Comte de Maurepas (...), corveta La Bonne Nouvelle (...) e a flûte Le Nécessaire (... que se perdeu depois ao regressar a Port-Louis), intentaram uma “viagem comercial” ao Pacífico, fazendo escala em Cabo Verde, Rio de Janeiro, no Brasil e cruzando o Estreito de Magalhães, passaram ao Oceano Pacífico. A expedição saiu de La Rochelle a 27 de Dezembro de 1698 e, após 67 dias de viagem, a 22 de Janeiro de 1699, avistaram a ilha de Maio em Cabo Verde. A bordo de Le Comte de Maurepas embarcou o engenheiro Duplessis, que escreveu o diário de bordo, ilustrando-o com vistas de Cabo Verde e de peixes e aves, que aí encontraram."
São vinte e tal belíssimas ilustrações que podem ser consultadas em arquipelagos.pt (precisamente aqui e aqui), site esse rico em imagens e mapas antigos das ilhas. Recomendo explorar com calma. Penso que as aguarelas de Duplessis são um encanto, tanto pelos detalhes como pela cor. Publico umas tantas e aproveito para chamar a atenção para a grande diferença de povoamento que havia, na época, entre a Ribeira Grande e a Praia. Já sabia que assim o era mas "ver" é sempre interessante. (clicar nas primeiras 2 imagens).
"Poisson qu’on appelle Grande Gueulle - Peixe chamado Garoupa de pintas apanhado na ilha de S. Vicente. Têm tamanhos diferentes, pele dura, vermelha e malhada de azul."

"Oyseau qu’on appelle Foux - Ave chamada Boba (Alcatraz) porque se aproxima tanto do homem que, em certas ilhas, é morta á paulada. Nós matámo-la com um tiro de espingarda, na ilha de S. Vicente. Estas aves vivem apenas de peixe, sobre o qual se lançam, lá do alto, a toda a velocidade, como o gavião sobre a presa. São do tamanho de um ganso, muito gordurento e com um gosto a água choca."

"Vue de l’île de S. Nicolas lors quelle vous reste a deux lieues au Nord."

25.9.08

1953 - Portaria contra "aquilo que não pode ser"

O amigo Escurinho enviou-me esta pérola por e-mail...

7.8.08

1585 - A frota de Sir Francis Drake na Ribeira Grande, Santiago

Para visualizar melhor... aqui

A imagem acima representa a Ribeira Grande em 1585. Foi desenhada por Baptista Boazio e publicada, juntamente com outros três "eagle eye views", no livro ”A summarie and true discourse of Sir Francis Drake's West Indian Voyage”, em 1588/9, em Londres. Mais detalhes sobre o mapa aqui e aqui. E num outro site sobre o "The Caribbean Raid, 1585-1586" pode ler-se:

"Drake's fleet of seven large ships and 22 smaller vessels sailed from Plymouth on September 14th, 1585; stopped at Bayona and Vigo on the northwest coast of Spain (Oct. 1-11), and reached Santiago in the Cape Verde Islands on November 17th. That town was plundered and burned, and on November 29th the fleet set sail across the Atlantic."

Obs: É possivel ver ou mesmo imprimir, em alta resolução, a imagem abaixo, a partir daqui.

24.7.08

Vista do "Plateau" - 1920 e 1950

Postais de 1920 e 1950 da colecção particular de Nuno Levy
No site Arquipélagos.

18.7.08

O Zeppelin no Céu das Ilhas - Anos 30 do Séc. XX

Depois da pausa de três semanas atravesso uma a fase de “apetece-me acabar com o blog”. A melhor forma de dar a volta à questão é ir directamente ao assunto, neste caso, ao desenvolvimento do post sobre o Graf Zeppelin...
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Fotografia de Tuta Melo tirada em 1937. Imagem do fotolog do Djô Martins - Mindel na Coraçon - publicada em 29 de Dezembro de 2005. Clicar na data para visualizar melhor e ler outras informações.
Olhar para a imagem acima lembra-me uma cena do filme “Indiana Jones e a Última Cruzada” a bordo do Zeppelin. Passa-se mais ou menos na altura em que a foto tirada e a reconstituição, se bem me lembro, deixa antever muito glamour e paisagens magníficas. A primeira ligação entre a Europa e a América do Sul - Brasil, acontece em Maio de 1930 e é nessa época que o Graf Zeppelin sobrevoa as ilhas, largando mala postal na Praia. Se passou antes e/ou depois ou apenas uma única vez é algo a confirmar. A Wiki tem um bom resumo da história do dirigível. Entretanto... acredito, dada a escalada de preço do combustível, que no futuro (se calhar bem próximo) será possível tornar a fazer viagens em aeronaves do tipo. Quem sabe? Uma visão provável dos novos zeppelins aqui...

11.6.08

Graf Zeppelin - Pan-American Flight - 1930

... e o que tem a imagem de especial?

5.6.08

Santo Antão em 1911 e 1500

Segundo o site 1911encyclopedia.org - que se baseia em factos publicados pela Enciclopédia Britânica de 1911 - a ilha de Santo Antão, na altura, é habitada por uma população de 25 mil almas, situa-se "(...) at the extreme north-west of the archipelago, has an area of 265 sq. m. Its surface is very rugged and mountainous, abounding in volcanic craters, of which the chief is the Topoda Coroa (7300 ft.), also known as the Sugar-loaf. Mineral springs exist in many places. The island is the most picturesque, the healthiest, and, on its north-western slope, the best watered and most fertile of the archipelago. The south-eastern slope, shut out by lofty mountains from the fertilizing moisture of the trade-winds, has an entirely different appearance, black rocks, white pumice and red clay being its most characteristic features. Santo Antao produces large quantities of excellent coffee, besides sugar and fruit. It has several small ports, of which the chief are the sheltered and spacious Tarrafal Bay, on the south-west coast, and the more frequented Ponta do Sol, on the north-east, 8 m. from the capital, Ribeira Grande, a town of 4500 inhabitants. Cinchona is cultivated in the neighbourhood. In 1780 the slaves on Santo Antao were declared free, but this decree was not carried out. About the same time many white settlers, chiefly from the Canaries, entered the island, and introduced the cultivation of wheat."
Desculpem a ignorância... o teor última frase para mim é novidade. Suponho que o nome Tarrafal de Monte Trigo seja disso consequência. Gostava de encontrar, on line, mais dados sobre o assunto. A página de onde retirei a citação acima tem informações sobre Cabo Verde no geral e cada ilha em particular. A ler e constatar como eram descritas no princípio do século passado.
O mapa ao lado é Santo Antão, foi retidado daqui e tem a seguinte legenda: "A mais antiga representação conhecida, como das restantes ilhas de Cabo Verde, deve-se a Valentim Fernandes, o editor alemão radicado em Lisboa e que, por volta de 1500, embora nunca tenha estado em Cabo Verde, enviou para a Alemanha esses desenhos."

3.6.08

Carta da Ilha do Fogo - 1894

Escala - 1:100000 / Suporte: papel
Tamanho: 34,70x45,20 cm em folha de 45,30x55,60 cm
Outros dados sobre a publicação aqui e carta daqui.
Um esboço (?) do mesmo mapa neste endereço.
Na Enciclopédia Britânica de 1911 dados da ilha na época.

15.5.08

A Hidrobase da Calheta de São Martinho - 1927

Tinha prometido "sgrôvetar" o Fogo e Santo Antão mas o tempo anda curto. Entretanto, recebi do meu pai, via email, informações interessantes sobre a hidrobase que existiu na Calheta de São Martinho - Santiago e do acidente que aconteceu com um dos hidroaviões usadas na época, o CAMS 51... Não resisti! Segue-se o despacho da Panapress de 12 de Dezembro de 2003: “(…) Os Correios de Cabo Verde (CCV) lançaram (…) uma série de quatro selos alusivos ao 75º aniversário da base francesa de hidroaviões (hidrobase) na localidade da Calheta de São Martinho, nos arredores da capital cabo-verdiana (…). A hidrobase, construída em 1927 pela Companhia Geral da Aeropostal, funcionou durante algum tempo como local onde os hidroaviões saídos da França deixavam o correio que depois era transportado por navios para a América do Sul. Nesse período, em que acolheu a base de hidroaviões, Cabo Verde assumiu um papel de destaque na aviação comercial Europa-América do Sul via África, realçado recentemente por uma investigação publicada em edição bilingue, francês e português, realizada pelo jornalista Vladimir Monteiro, da agência cabo-verdiana de notícias, Inforpress. A escolha de Cabo Verde como escala visou encurtar a distância entre a Europa e a América do Sul. Ao optar por Cabo Verde em detrimento de Dakar, no Senegal, reduzia-se a distância em 130 quilómetros. Nessa altura o correio era transportado de hidroavião de Toulouse, França, com escala em S. Louis, Senegal, e chegava à Calheta de S. Martinho, Cabo Verde, onde era colocado a bordo de um antigo barco militar francês rumo ao Recife, Brasil. Para além da hidrobase, foi também construída na localidade de Calheta de S. Martinho uma estação de rádio de grande potência, que viria a revelar-se como o "principal pilar da segurança aérea no Atlântico Sul". Mesmo depois de desactivada a hidrobase, Cabo Verde continuou a ser importante para a Aeropostal, pois "são os faróis e as balizas destas ilhas, equipados com emissores-receptores", que vão guiar as suas aeronaves na travessia do Atlântico. Os quatro selos lançados pelos CCV incluem um mapa da linha aérea da Aeropostal, imagens parciais da hidrobase, um hidroavião CAMS- 51 e a imagem do tenente Paulin Paris, o primeiro piloto a efectuar a ligação entre Saint-Louis, no Senegal, e Calheta de São Martinho. (…)”
E no fim de uma outra página... O CAMS 51: "Hydravion de reconnaissance. Premier vol en janvier 1927. 1 seul exemplaire construit. (...) Il est testé à St Raphaël en 1926. En mars 1928 il est envoyé à St Louis du Sénégal, après quelques vols sur l'Atlantique il est détruit au cours d'un décollage par gros temps à Porto Praïa. Un second appareil désigné CAMS 51 GR n° 002, non armé apparaît en 1927 motorisé par des Gnôme Rhône Jupiter de 480 ch. il bat le 18 août 1927 avec le Lt de Vaisseau Paris comme pilote, le record mondial d'altitude pour hydravion. Transféré ensuite au Sénégal il est réformé en 1933. Aucune série du 51 ne verra le jour." Resta saber se o acidente com o CAMS 51 se deu realmente na Praia ou se se trata de um engano e tudo aconteceu na Calheta de São Martinho.
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A imagem do selo, foi retirada daqui. A pausa agora é a sério... até daqui a duas semanas!

8.5.08

As crónicas perdidas de Desiré Bonnafoux...

O autor de “Linhas Férreas em Cabo Verde”, artigo que coloquei no blog, em dois posts, em Julho de 2007, procura as crónicas perdidas de Desiré Bonnafaux... Em fins de Março passado, a propósito de um comentário pertinente num dos posts atrás mencionados, entrei em contacto com o Sr. Salomão Vieira e aproveitei para perguntar como seguia a pesquisa relativa ás Salinas de Pedra de Lume, na ilha do Sal. Divulgo - com devida autorização e na tentativa de encontrar alguma pista - a resposta que recebi...
“Consegui saber mais umas quantas coisas sobre a indústria do sal da ilha do dito, especialmente durante os primeiros vinte anos do séc. XX, mas depois do início das actividades da ‘Salins du Cap Vert’ em Pedra do Lume e da Companhia de Fomento em Santa Maria, especialmente a partir dos anos 30 já pouco mais pude saber.
Toda a minha pesquisa se orientava e orienta no sentido já agora de saber como evoluiu a indústria do sal e as actividades daquelas duas empresas a partir daí, e se houve ou não uma pequena locomotiva nas vias férreas da ilha do Sal. E também saber pormenores do teleférico instalado em Pedra Lume.
Um nome parece ser referência fundamental nesta pesquisa – o de Desiré Bonnafoux, que foi durante anos técnico e dirigente da ‘Salins’. Só que eu não consegui encontrar qualquer escrito deste senhor (e sei que os há) que nos fale das salinas. Tive inclusivé contactos com o Dr. Germano de Almeida que me forneceu algumas pistas, como o jornal “Dja de Sal”, onde haveria algumas crónicas de Desiré Bonnafoux, mas também não consegui chegar aceder a este jornal.”
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Lanço daqui o apelo... se por acaso alguém souber dar informações sobre onde ou como encontrar as crónicas perdidas ou exemplares do jornal “Dja de Sal”… Imagem daqui e um breve historial da ilha do Sal neste site.

2.5.08

Plan of Porto Praya - 1812

Mais um mapa... Este está no site do National Maritime Museum de Londres e permite, mediante o zoom, que a visualização do documento seja feita por segmentos, dando conhecer detalhes que normalmente escapam noutros exemplares que se encontram on line.
Title:
Plan of Porto Praya in the Island of St Jago. One of the Cape Verd Islands.
Historical Data:
The Cape Verde Islands were a Portuguese colony and had long been used as a staging post for slaving vessels. (...) a survey of the fortifications in 1812.
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Outras informações (edição, escala, etc)
A não perder: o Zom do Mapa

17.4.08

O dia 29 de Abril de 1858 e as Villas de Mindello e Bissau

Conforme o prometido e porque são hoje duas cidades referência para mim - numa nasci e noutra vivi - ficam mais estes dois Decretos de 29 de Abril de 1858, que elevaram à categoria de Villas as povoações de Bissau, capital da Guiné, e Mindello, na ilha de São Vicente.
Na Wiki há uma página sobre o Desembarque no Mindelo que é um bom ponto de partida para mais pesquisas sobre o assunto... e já agora, o tal "Augusto Avô" referido no decreto "Mindello" é o Rei D. Pedro, o IV de Portugal e I Imperador do Brasil.

No entanto "Bolama foi elevada à categoria de cidade em 1913 e foi a capital da antiga Guiné Portuguesa até 1941. Em 1942 a capital muda de Bolama para Bissau, que já então era, de facto, a “capital económica” da Guiné." Citação (e síntese da história da Guiné-Bissau) aqui.

15.4.08

A Cidade da Praia, a Abolição da Escravatura e o dia 29 de Abril de 1858

... e porque nos próximos dias muito se vai falar muito do dia 29 de Abril de 1858, dos 150 anos desta Cidade e dos factos históricos que lhe deram origem, queria chamar a atenção para outros assuntos, ligados ao mesmo dia, que talvez não sejam tão conhecidos.

A data da passagem da Villa da Praia a Cidade estará sempre ligada um outro marco importante… o dia em que "o estado de escravidão (ficou) inteiramente abolido, em todas as Províncias Portuguezas do Ultramar, sem excepção alguma" ainda que a entrada em vigor estivesse prevista para o "dia em que se (completassem) vinte annos, contados da data (do) Decreto" ou seja, em 29 de Abril de 1878. Assinaram o Rei e o Visconde de Sá da Bandeira. Mas qual a razão de uma vacatio legis de vinte anos? Os custos para a Fazenda Pública. É que, conforme se pode ler no documento, passados vinte anos, o numero de escravos ter-se-ia reduzido de tal forma, que as indemnizações a serem pagas aos legítimos senhores poderiam ser "satisfeitas com uma quantia moderada(!)".
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O dia 29 de Abril de 1858 teve outros acontecimentos que, a meu ver, são interessantes... duas povoações subiram à categoria de Villa - Bissau e Mindelo - e D. Pedro V, o Rei que assinou esses mesmos os decretos, casou-se, ainda que por procuração... mas isso já é matéria para o próximo post.
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Para ler o documento da "abolição" na íntegra clicar nas imagens que ilustram o post. Um pequeno resumo sobre o processo em Portugal aqui e em Slavery - a Time Line estão as datas mais marcantes relativas à abolição da escravatura na Europa e América. Os meus agradecimentos ao Prof. GC de DT por ter facultado os decretos que mencionei e que também podem ser consultados no nosso Arquivo Histórico.

9.4.08

A Cidade da Praia e os seus 150 Anos

Mais informações brevemente...

4.4.08

Rádio Praia - CR4AA

"A história da radiodifusão cabo-verdiana começa oficialmente em 1945, com a “Rádio Clube de Cabo Verde”, popularmente denominada “Rádio Praia”. Criada pelo alvará nº2/1945, teria emissões diárias entre as 18h30 e as 20 horas, com uma programação variada (divulgada diariamente nos jornais), que incluía música nacional e estrangeira, palestras, serviços noticiosos (no início e final da emissão), além de programas de humor e uma revista feminina. Além da parte radiofónica funcionou ainda como clube recreativo, onde os sócios organizavam bailes e récitas. A partir de 1950, é declarada corporação de utilidade pública pelo governo da colónia e começa organizar concursos musicais por onde passaram muitos conhecidos intérpretes e conjuntos da capital, sendo destaque constante do periódico “ Boletim de Propaganda e Informação”.
Em 1954, altura em que Jaime de Figueiredo assume a sua direcção, as instalações da rádio passaram para o primeiro andar do edifício então construído para sede da SAGA (Sociedade de Abastecimento de Géneros Alimentícios), na praça Alexandre Alburquerque. Após a independência foi absorvida pela então criada RNCV – Rádio Nacional de Cabo Verde, que funcionou no mesmo edifício até á criação do actual edifício que alberga a RTC – Rádio Televisão Cabo-verdiana. " Por Glaucia Nogueira.
Ler o artigo na totalidade na página da RTC. Imagens daqui.
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Ainda sobre o assunto recomendo: Os primeiros rádio-amadores de Cabo Verde e Hilário Brito - CR4AD, ambos do blog O outro lado do Eu, bem como os comentários a este post.

26.3.08

Ainda do Jardim das Hespérides e do Lagarto Gigante que afinal só media 17 cm...

Muitos mitos povoam e povoaram estas ilhas... um dos mais cómicos terá sido aquele que foi apelidado por Estela Guedes, Directora do TriploV, como a maior fraude da Zoologia. O fabuloso Lagarto Gigante, o Macroscincus coctei ou o Lagarto da Atlântida. O réptil começou por medir um metro e meio e, ao longo dos anos acabou nuns meros 17 cm! Dados daqui.
No
último post... viu-se como no princípio do século passado os poetas destas ilhas evocavam o mito hesperitano, algo muito próprio do espírito da época e, se calhar, podem ter ido buscar motivos à zoologia.
É que dizia-se então que o Lagarto Gigante destas ilhas (supostamente habitante do Raso, do Branco e Santa Luzia) era o último sobrevivente do que foi outrora a Atlântida. Grandes homens da ciência da altura foram ao ponto de afirmar que o dito só se alimentava de maças - lembram-se daquelas que o dragão do mito do Jardim das Hespérides guardava? - ainda que nestas ilhas só houvesse gramíneas.
Baltasar Osório (dizia que o lagarto) se alimentava de toda a espécie de frutos polposos. Peracca (que afirmou ter trabalhado com 40 desses lagartos muitos deles vivos) foi peremptório: o alimento preferido do Macroscincus coctei eram as maçãs.”! (Dados e citações daqui).
Segundo registos, figuras das ilhas e não só, como Francisco Newton, procuraram pelos lagartos, chegando a enviar inúmeros exemplares para Lisboa e Paris. - A carta ao lado, de F. Frederico Hoppfer a Barbosa du Bocage, dá conta do envio de 2 remessas de repteis, sendo a primeira do ilhéu Branco e a segunda do Branco - Contudo, parece que os últimos exemplares, confinados que estavam ao ilheu Raso, vieram a desaparecer, quando
uns pescadores de Santo Antão, em 1915, soltaram por lá cães... De modo que até hoje nem fumo nem mandado e nem ossos do Lagarto Gigante.
Este post e antepenúltimo foram baseados no imenso material escrito por Estela Guedes, disponivel nos diversos links do index do TriploV - CaboVerde
e são assuntos que devem ser desenvolvidos por quem esta mais capacitado. O que é certo é que é estória do Lagarto Gigante é das mais engraçadas e mirabolantes que já li. Fica o convite para visitarem o site, tirarem as vossas conclusões e corrigir algum erro meu. Imagens: aqui e aqui.
Entretanto... sobre este mesmo assunto gostaria de convida-los a ler o post intitulado "Maior fraude da Zoologia, ou a superficialidade da má-fé" do Professor Jorge Sousa Brito, autor do blog O outro lado do Eu. Afinal parece que que a estória, se a houve, pode não ter sido bem assim...

15.3.08

Estas iIhas e o Mito Hesperitano

No seguimento do último parágrafo do post anterior recomendo o artigo de Ricardo Riso intitulado: Mito Hesperitano, Pasargadismo, Insularidade: momentos de construção da poesia cabo-verdiana no século XX. Destaco... "No início do século XX, os poetas tentam criar uma história, um passado para o arquipélago diferenciando-o do português colonizador, o pai, e que valorizasse a mãe-terra crioula, a mátria. Entretanto, os escritores ainda recorrem a referências européias na busca de um passado heróico para sua pátria e, assim, chegam ao mito hesperitano. As origens do mito são descritas por Simone Caputo: Aqui pontuamos um topos interessante do percurso de busca de identidade crioula: o recurso ao mito arsanário ou hesperitano como origem (associado à idéia de pátria). As obras de José Lopes e de Pedro Cardoso, já nos seus títulos (Hesperitanas, 1928, e Hespérides, 1929; Jardim das Hespérides, 1926, e Hespéridas, 1930, respectivamente) interpretam a origem como: ilhas do velho Hespério – pai das Hespéridas – que abrigavam jardins repletos de pomos de oiro, guardados pelo dragão de cem cabeças, morto por Hércules. As “ilhas perdidas no meio do mar”, destacadas por Jorge Barbosa em seu antológico Arquipélago, 1935, já eram identificadas por Camões, em Os lusíadas (canto V, VII, VIII, IX) como Cabo Verde (Cabo Arsinário ou Estrabão)." - Imagem daqui e fotografia da Caboindex

6.3.08

O pedido feito em 1900 para o então jovem José Lopes da Silva

Meu E.mo Chefe, amigo e Mestre, Conselheiro Bocage
Venho perante V.ª Ex.ª expor-lhe o seguinte:
Ha n’esta provincia um rapaz que me tem dispensado um verdadeiro affecto d’ irmão e que me tem chegado muita vez a consolar e auxiliar nas minhas lides scientificas.
Esse homem, digno da protecção de V.ª Ex.ª, tem o nome José Lopes da Silva, exerce na ilha de S.to Antão o cargo de professor regio da aula de 2ª classe na villa da Ribeira Grande. É preciso dar uma recompensa a esse cavalheiro. Lembrei-me d’um cargo para elle e vou dizel-o a V.ª Ex.ª rogando-lhe a fineza de se empenhar o mais que puder para me collocar bem o rapaz.
Está dito que é professor regio, e aonde. Ganha só 30$000 rs. Ora, ha n’esta provincia o cargo d’Inspector d’Instrucção publica, cargo que ninguem exerce. Pois eu quero que o Lopes seja nomeado - mas permanentemente - Inspector d’Instrucção primaria, com o vencimento mensal de 60$000 rs. Não é muito e o cargo é mister.
Assim ficava elle desligado do Magisterio; mas, se isto fôr difficil de fazer-se, o que não me parece, então eu pedia para que o meu protegido e bom amigo fôsse nomeado - cargo permanente - professor regio inspector, continuando elle a reger a cadeira que rege, dando-se-lhe mais 30$000 rs por mez para prefazer os taes 60$000 rs.
Assim ficava mui bem definido o cargo d’inspector primario, que ninguem aqui exerce. Creia V.ªEx.ª que é preciso fazermos bem a esse homem, a quem na minha vida d’explorador tenho devido aqui o affecto d’ irmão e em cuja casa, por signal, me acho agora hospedado. Elle tem a maxima competencia e de mais é casado e tem filhos. (...)
Annexar-lhe como professor o cargo de inspector (só d’instrucção primaria) e dar-lhe por mez mais 30$000 réis.

É um acto de justiça. Estimarei que V.ªEx.ª tenha passado bem e apresento-lhe os protestos da minha maior estima, admiração e respeito, rogando-lhe que me responda, o que desde já agradeço.
Creia-me V.ª Ex.ª
Amigo, admirador, e att.t creado
Ilha de S.to Antão de Cabo Verde
13 - agosto - 1900
Francisco Newton
Naturalista do Governo
Obs: Clicar na frase para saber...
Carta retirada daqui.
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Obs: "Esse guia caboverdiano, que Newton trata por rapaz, dizendo que o acolhera como irmão, veio a ser vice-cônsul do Brasil em Cabo Verde, presidente da Câmara, laureado pela Academia Francesa das Letras, etc.. É o poeta José Lopes da Silva, autor de livros como Hesperitanas e Jardim das Hespérides. (...)". Daqui.

5.3.08

Nosferatu de Murnau (1922) - "Tralha"

"An iconic film of the German expressionist cinema, and one of the most famous of all silent movies, F. W. Murnau’s Nosferatu: A Symphony of Horror continues to haunt — and, indeed, terrify — modern audiences with the unshakable power of its images. By teasing a host of occult atmospherics out of dilapidated set-pieces and innocuous real-world locations alike, Murnau captured on celluloid the deeply-rooted elements of a waking nightmare, and launched the signature “Murnau-style” that would change cinema history forever. (...)" - Mais aqui.